20 de fevereiro de 2015

Object Object lançam single com produção de John Parish

Object Object é uma banda de Brighton, Inglaterra, que foi formada em 2012 por quatro adolescentes, amigos de colégio: Rebecca Terry (voz), Bertie Morris (baixo), Ellis Dickson (bateria) e Lauro Zanin (guitarra).

Lauro é meu filho, com quem eu toquei na banda Barins e no projeto Zanin's Magic Crayon. Com o Barins gravamos um álbum, alguns clipes e fizemos um único show, no Buffalo Bar, em Londres. Com o Zanin's Magic Crayon gravamos versões para canções da minha banda Magic Crayon num formato diferente (eletrônica e ukulele) e fizemos duas turnês: em 2009 nos EUA (com dois shows também em Toronto) e em 2010 na Europa.
Também participei de seu primeiro projeto musical, chamado Sursis, que ele começou aos 13 anos!

Object Object é um nome peculiar, pode trazer um viés filosófico ou pode remeter a programação computacional ou ainda à canção da banda The Cure.
O som da Object Object tem influências de shoegaze, indiepop, rock alternativo e pós-punk.

Antes mesmo do lançamento do primeiro ep digital homônimo, hoje esgotado (a banda retirou o ep do ar no bandcamp deles), a vocalista Becca Terry foi substituída por Aimee Montague.

Depois de muitos shows no circuito DIY inglês, dividindo palco com outros ótimos grupos, Object Object teve a oportunidade de gravar no estúdio Roundhouse, em Camden - Londres, com a produção de John Parish (músico e produtor, parceiro de PJ Harvey e muitos outros).


Logo depois da gravação a banda entrou num curto hiato e então veio a reviravolta: Lauro e Ellis saíram.
Ellis tem sido figurinha carimbada na cena de Brighton, tocando bateria com várias bandas, dentre as quais as ótimas Strange Cages e The Art Club.
Lauro está fazendo faculdade de música (produção) no BIMM, trabalhando com produção de shows independentes (principalmente com a agência Melting Vinyl) e também preparando um projeto musical próprio, chamado Wax Machine.

Aimee e Bertie decidiram continuar com a Object Object e agora lançam o resultado dessa última sessão de gravação do quarteto.
O resultado é um single virtual que você pode escutar no soundcloud deles.
Além da canção Bones, há também a canção Made Up. Ambas excelentes!



19 de fevereiro de 2015

Contagem regressiva - discografia do The Fall

Para um maior deleite, faça a leitura escutando os programas especiais que fiz para a AntenaZero.com, que você encontra aquihttps://www.mixcloud.com/waldenzanin/.

Recentemente o website stereogum.com publicou uma matéria "especial" sobre minha banda predileta - The Fall.
A matéria, que não foi assinada, lista os discos de estúdio da banda, classificando todos eles desde o pior até o melhor (na opinião de quem escreveu aquilo, claro).

Como eu discordei muito do resultado da lista, decidi fazer aqui a minha lista, nesse mesmo formato - de contagem regressiva.

De maneira geral eu acabo dividindo a discografia em três fases:
1. Do início da banda até o final dos anos 80;
2. Os anos 90;
3. Os anos 2000.
A primeira fase é composta pelos discos clássicos, que aparecem entre os melhores na grande maioria das listas. A segunda fase contém os piores discos da discografia do The Fall. A terceira fase marca a revitalização da banda, com ótimos álbuns (com a melhor qualidade de gravação) e constância na formação.

Costumo dizer que gosto de todos os álbuns do The Fall, então vou listar aqui todos os álbuns de estúdio da banda de Mark E. Smith e cia, em ordem, do menos melhor, passando por todos os maravilhosos discos de diferentes fases, até o melhor de todos, hehe.

Vamos lá:


30. Code: Selfish (1992)
É difícil dizer, para mim que sou fã assumido, mas eu não consigo lembrar de cabeça de nem mesmo uma única canção deste disco.
Não é difícil entender porque está aqui, por último...

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29.  The Light User Syndrome (1996)
Outro disco de que não consigo lembrar de cabeça nem mesmo uma música.
Este foi o último disco em que Brix consta como membro do The Fall. Ela tinha saído da banda em 1989 (quando ela e Mark se divorciaram) e tinha retornado em 1994.

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28. Re-Mit (2013)
Este é o álbum mais recente do The Fall (pelo menos até fevereiro de 2015, quando escrevo isto aqui) e pela primeira vez na história a banda The Fall consegue lançar quatro discos seguidos sem ao menos uma mudança na formação.
Mesmo com canções "classudas" como Sir William Wray e Victrola Time, e apesar de canções legais como Kinder of Spine, Noise e No Respects, a impressão que passa é que Mark Smith deixou a banda compor e arranjar o material quase todo e que ele só apareceu no estúdio para botar o vocal no último dia de gravação...

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27. Cerebral Caustic (1995)
Este é o disco que marca o retorno de Brix Smith ao The Fall. A ex-esposa de Mark Smith é a co-autora de 5 das 12 faixas do álbum e grita em Don't Call Me Darling (uma das melhores do disco).
Neste disco temos a versão de I'm Not Satisfied de Frank Zappa, a gravação definitiva de Life Just Bounces e a rara e inusitada guitarra tocada por Mark Smith na faixa que abre o disco, The Joke.
Foi a última vez que Craig Scanlon participou de algum disco do The Fall.

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26. Ersatz GB (2011)
Pela terceira vez seguida o The Fall consegue lançar um disco sem uma única mudança na formação da banda. Antes de Ersatz GB temos Imperial Wax Solvent de 2008 e Your Future Our Clutter de 2010, e depois de Ersatz GB temos Re-Mit de 2013.
A impressão que passa é que Mark Smith consegue expressar sua arte melhor quando sua banda muda, pois o que seria motivo para comemorar, na verdade acaba passando a impressão de mais do mesmo.
Neste disco Mark Smith inseriu elementos de música pesada (metal) em algumas faixas, inclusive se apropriando de uma música de uma banda grega de metal para fazer a faixa Greenway. Ao mesmo tempo temos uma das canções mais doces de toda a carreira da banda: Happi Song (cantada pela esposa - e tecladista - Elena).
Mas que fique claro, Ersatz GB não é um disco ruim, pelo contrário!

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25. Shift-Work (1991)
Shift-Work é um bom álbum, mas essa fase com Dave Bush tocando teclados e coisas eletrônicas pop realmente me deixa com um pé atrás.
Aqui temos ótimas canções, como Edinburgh Man, The Book of Lies, High Tension Line, Shift-Work, You Haven't Found It Yet, The Mixer, White Lightning (versão para The Big Bopper), A Lot of Wind e Rose.

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24. Are You Are Missing Winner (2001)
Uma vez mais temos aqui um disco onde Mark Smith se orgulha de ter modificado todos os integrantes da formação da banda.
Já na primeira faixa o refrão diz "nós somos o novo the Fall".
Aqui temos muita coisa fina: My Ex-Classmates' Kids, Kick the Can, The Acute e Hollow Mind, além de Crop-Dust (baseada num trecho de uma música do The Troggs), Bourgeois Town (de Lead Belly), Gotta See Jane (de R. Dean Taylor - o mesmo de There's a Ghost in My House) e a louca Ibis-Afro Man (de Iggy Pop). 

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23. I Am Kurious Oranj (1988)
Se você chegou até aqui, já deve ter percebido que já deixamos pra trás qualquer tipo de ressalva e que não se trata de termos álbuns ruins no fim e álbuns bons no topo da lista. 
Sim, é difícil de acreditar que qualquer banda no mundo possa ter mais de VINTE discos que possam ser considerados foda de bom.
Mas The Fall sim tem mais de vinte álbuns que eu considero foda de bom. Sabe, excelentes etc.
Aqui temos maravilhas como New Big Prinz, Kurious Oranj, Wrong Place, Right Time, Cab It Up!, Last Nacht e a doida Dog Is Life/Jerusalem.
O disco é a trilha sonora para ballet I Am Curious, Orange, produzido por Michael Clark.
Depois desse disco Brix Smith se separa de Mark Smith e é saída da banda.

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22. Middle Class Revolt (1994)
Neste álbum temos o retorno do louco baterista (e guitarrista) Karl Burns.
Temos as vozes de John Peel e do guitarrista Craig Scanlon sampleadas na faixa Symbol of Mordgan.
Temos uma das primeiras canções do The Fall (Hey! Fascist) finalmente gravada (acabou virando Hey! Student).
Além das pepitas 15 Ways, The Reckoning, Behind the Counter, Surmount All Obstacles, Middle Class Revolt! e You're Not Up to Much.
E como se não fosse suficiente, neste disco ainda temos versões para Henry Cow e Slapp Happy, Monks e Groundhogs.

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21. Room to Live (1982)
Pronto, aqui o primeiro da chamada fase de ouro...
Esse disco, que é o quinto da carreira do The Fall, está entre Hex Enduction Hour e Perverted by Language, ou seja, coisa linda de morrer mesmo.
A faixa título é de uma perfeição admirável.
A gravação foi "diferente", com membros da banda que deixaram de participar em faixas etc. É o último disco onde temos Marc Riley (que depois virou radialista de sucesso na BBC).
Karl Burns teve um papel central neste disco. Arthur Kadmon da banda Ludus também participa.

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20. The Marshall Suite (1999)
Isto aqui é o The Fall que mais se aproxima da eletrônica de que eu gosto.
Este álbum consegue ser rock'n'roll demais, mesmo usando muitos elementos da música eletrônica.
Temos pepitas como Touch Sensitive, Shake-Off, Bound, Antidotes e The Crying Marshal.
Este foi o primeiro álbum após a fatídica briga de porrada que aconteceu no palco, no meio de um dos shows da fatídica tour americana. A única integrante que ficou foi Julia Nagle, que se mostrou decisiva aqui.
Temos aqui versões para Tommy Blake e The Saints.

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19. The Infotainment Scan (1993)
Este disco foi lançado pela Matador e nele encontramos uma das canções de que eu mais gosto em toda a discografia do The Fall: Light/Fireworks (Chico Science & Nação Zumbi samplearam isso para a música Rios, Pontes e Overdrives).
Eu sei que tinha falado acima que eu não gosto muito do Dave Bush, e é isso mesmo, mas aqui o cara acertou em cheio! : )
Este é um disco acessível (adjetivo muito pouco usado quando se fala de The Fall) mas não pop bobo.
Temos pepitas como Glam-Racket, It's a Curse, Paranoia Man in Cheap Shit Room, A Past Gone Mad e The League of Bald-Headed Men. Além de versões para Sister Sledge, Steve Bent e Lee "Scratch" Perry.

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18. Slates (1981)
Tecnicamente este seria um EP, afinal foi originalmente lançado como um vinil 10 polegadas. Mas aqui estou falando da edição em CD, posterior e com duração compatível à de um álbum cheio.
Este é o segundo lançamento do The Fall pela Rough Trade e conta com pepitas como Middle Mass, Prole Art Threat, Fit and Working Again, Slates, Slags, Etc., Leave the Capitol, Lie Dream of a Casino Soul e Fantastic Life.
Mark Smith afiado e cortante, Marc Riley e Craig Scanlon nas guitarras e nos teclados e os irmãos Hanley na cozinha: The Fall na melhor forma!

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17. Your Future Our Clutter (2010)
Por falar em boa forma, aqui outro exemplo de um disco retratando a banda em sua melhor forma.
Neste caso aqui sim, o fato da banda ter mantido a mesma formação do disco anterior (Imperial Wax Solvent) não causou perda alguma em qualidade, seja de composição seja de arranjo. Melhor ainda, em comparação com o disco anterior, a gravação aqui está ainda mais nítida!
O disco foi lançado pelo selo indie Domino recs e conta com pepitas como Bury Pts. 1 + 3, Mexico Wax Solvent, Cowboy George e Hot Cake. Além disso temos uma versão para Funnel of Love de Wanda Jackson (uma das melhores versões já feitas pela banda) e também uma das canções mais doces da carreira da banda, Weather Report 2 (composta por Mark Smith e sua esposa - e tecladista - Elena), onde ele canta "você me deu os melhores anos da minha vida" (obviamente a canção termina de modo doentio).

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16. The Frenz Experiment (1988)
Provavelmente este seja o disco que corresponda ao período de maior sucesso da banda, onde já tinham alcançado um patamar de respeito por parte da crítica especializada e também conseguido emplacar alguns hits de maior potencial comercial.
Fato é que pepitas como Carry Bag Man, Get a Hotel, Guest Informant e In These Times justificam a fama! Além de versões para Victoria (dos Kinks) e There's a Ghost in My House (de R. Dean Taylor).

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15. Extricate (1990)
Este disco é emblemático porque foi o primeiro após a saída da guitarrista e vocalista Brix Smith (ex-esposa de Mark Smith), e para substituí-la o encarregado foi nada menos que Martin Bramah - o guitarrista original da banda, membro fundador do The Fall que tinha saído da banda lá atrás em 1979, logo após o lançamento do primeiro álbum.
Este disco aqui conta com mais uma das poucas canções suaves e/ou leves da banda: Bill is Dead. Conta ainda com a colaboração em Telephone Thing e Black Monk Theme Part II (adaptação de uma canção da banda Monks) da dupla de música eletrônica Coldcut.
Além da mencionada versão para Monks, temos uma versão para a canção pop Popcorn Double Feature.
E, claro, pepitas maravilhosas como Sing! Harpy, I'm Frank, Arms Control Poseur e The Littlest Rebel.

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14. The Real New Fall LP (Formerly Country on the Click) (2003)
Este é o primeiro disco com a atual esposa de Mark Smith, Elena Poulou (teclado e backing vocals). Um dos maiores sucessos recentes da banda está aqui: Theme From Sparta F.C. - usada inclusive pela BBC na abertura do maior programa de esportes da TV britânica.
O álbum vazou pela internet e Mark Smith mudou um monte de coisinhas antes de lançar.
Neste disco há apenas uma versão, para Lee Hazlewood.
Mas aqui encontramos pepitas como Mountain Energei, Contraflow, Last Commands of Xyralothep Via M.E.S., The Past, Mike's Love Xexagon, Proteinprotection e Recovery Kit.

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13. Levitate (1997)
Este foi o primeiro álbum sem o guitarrista Craig Scanlon. Brix Smith também tinha deixado a banda (pela segunda e última vez). O baterista Simon Wolstencroft saiu antes do fim das gravações e foi substituído por Karl Burns (baterista original da banda, desde o primeiro disco lá em 1979).
Mesmo com todas essas mudanças, nada pode se comparar com a maior mudança na história da banda: Levitate foi o último disco com Steve Hanley no baixo. Hanley estava na banda desde o segundo disco lá em 1979, e foi o músico que durou mais tempo no The Fall (tirando Mark Smith, claro). Foram 19 anos como baixista do The Fall.
Foi na turnê deste álbum que Mark Smith brigou de porrada com todos os outros integrantes no palco.
Aqui encontramos pepitas como The Quartet of Doc Shanley, 4½ Inch, Spencer Must Die, Ol' Gang e Everybody But Myself. Além de versões para Byrds, Hank Mizell e Bob McFadden & Dor.

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12. Bend Sinister (1986)
Diz a lenda que a master original foi abandonada por Mark Smith, que fez questão de usar como resultado final para o disco uma fita cassete que lhe foi dada para avaliar as gravações (obviamente este foi o último dos 3 discos produzidos por John Leckie). 
Durante a gravação deste disco 3 bateristas sentaram nas fileiras da banda; Karl Burns foi mandado embora logo no começo das gravações, Paul Hanley voltou para a banda e gravou uma parte do disco mas foi substituído por Simon Wolstencroft, que gravou outra parte das músicas.
Aqui temos a famosa versão para Mr Pharmacist (da banda The Other Half).
Muitas pepitas de alto calibre: R.O.D., Dktr. Faustus, Shoulder Pads, Terry Waite Sez e Bournemouth Runner.

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11. Hex Enduction Hour (1982)
Quarto álbum da banda e o primeiro a contar com dois bateristas tocando ao mesmo tempo - Karl Burns e Paul Hanley.
O disco tem um clima sombrio, com letras fortes. Foi gravado parcialmente na Islândia.

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10. Dragnet (1979)
Este disco é muito mal gravado, mesmo. Lo-fi até a medula. A banda tinha acabado de lançar o primeiro disco e no mesmo ano de 1979 decidiram gravar mais coisa - em apenas dois dias. 
Porém, se a gravação deixa a desejar, felizmente a composição, o arranjo e a performance da banda para essas canções aqui estão maravilhosas.
Dragnet é uma coleção de clássicos do The Fall, quase tudo no disco é lindo demais (nos parâmetros The Fall): Psykick Dancehall, Printhead, Dice Man, Your Heart Out, Muzorewi's Daughter, Flat of Angles, Spectre Vs Rector, Put Away... 
Foi lançado pelo mesmo selo do primeiro disco, Step Forward (do cara do The Police). É o único disco com Mike Leigh na bateria e o último pelo Step Forward. Marc Riley foi do baixo para a guitarra, com a chegada de Steve Hanley.
Este disco aqui só não está mais em cima na lista por conta da gravação tosca mesmo.

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9. Reformation Post TLC (2007)
O chamado disco do The Fall americano. Ou o The Fall com dois baixos.
Em mais uma mudança de formação, Mark Smith recrutou músicos de bandas americanas para fazer este disco com sua esposa - e tecladista - Elena.
Muitos fãs puristas torcem o nariz para este disco (provavelmente por conta dos integrantes americanos, sei lá), mas o fato é que o disco é excelente, bem gravado, com letras ácidas e irônicas e com músicas maravilhosas, como Over! Over!, The Bad Stuff, Systematic Abuse, Scenario, Coach and Horses, a impagável Insult, além dos clássicos Reformation! e Fall Sound!

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8. The Wonderful and Frightening World Of... (1984)
Este é o sétimo disco da banda e o último a contar com dois bateristas, pois Paul Hanley deixou a banda logo depois.
Foi o primeiro disco a ser produzido por John Leckie e também o primeiro a ser lançado pelo selo Beggars Banquet (que iria lançar coisas da banda até pelo menos 1988).
Minha preferida deste disco é Oh! Brother.

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7. Live at the Witch Trials (1979)
Pronto, aqui está o primeiro disco do The Fall.
Foi inteiramente gravado num único dia e inteiramente mixado no dia seguinte. Mesmo assim a gravação é ótima e limpa. 
É o disco em que mais podemos encontrar o som do início punk-rock da banda.
Este é o único disco em que Mark Smith não é o único membro original da banda. 
Enfim, o disco é obrigatório e músicas como Like to Blow, Rebellious Jukebox e No Xmas for John Quays são clássicos absolutos.

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6. Imperial Wax Solvent (2008)
Este disco traz uma nova leva de músicos britânicos, após a versão The Fall americana do disco Reformation.
Dentre os discos mais recentes, este é o que mais se aproxima da produção lo-fi de outrora, com uma gravação abafada (em comparação com os outros discos do período, claro, pois se compararmos com Dragnet, por exemplo, veremos que Imperial Wax Solvent foi muito bem gravado, hehe).
O disco está cheio de músicas excelentes, são muitos os candidatos a clássicos aqui: 50 Year Old Man, Wolf Kidult Man, I've Been Duped, Can Can Summer, Tommy Shooter, Latch Key Kid e Is This New. Além da versão para Strangetown (da banda The Groundhogs).

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5. Fall Heads Roll (2005)
O que dizer de um disco que contém uma música como Blindness?! Clássico.
Este disco é lindo em tudo, na escolha do repertório, na gravação, na performance, nas letras, enfim, está tudo ali.
Aqui temos pepitas maravilhosas como Pacifying Joint, What About Us?, Assume, Bo Demmick, Youwanner e Clasp Hands, e a versão para I Can Hear the Grass Grow da banda The Move ficou perfeita.

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4. This Nation's Saving Grace (1985)
Aqui, tão perto do pódio, fica até difícil conseguir dizer algo...
This Nation's Saving Grace é o segundo álbum produzido por John Leckie e também o segundo lançado pelo selo Beggars Banquet.
Dos três este é o melhor em tudo, simples assim.
Onde mais você poderia encontrar pepitas como Bombast, Spoilt Victorian Child, Couldn't Get Ahead, My New House e I Am Damo Suzuki?

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3. The Unutterable (2000)
Este álbum foi o segundo seguido com a mesma formação, algo raro em termos de The Fall. Outra coisa é que neste disco não há versão alguma, somente músicas de autoria da banda.
Mas mesmo assim podemos ver influências pelo álbum, como Dr. Buck's Letter (que remete a Bukowski) e Ketamine Sun (Lou Reed).
Foi a partir deste disco que o The Fall deixou a decadência definitivamente pra trás e mostrou que ainda tinha muita lenha pra queimar.
Pepitas fortíssimas podem ser encontradas aqui: Cyber Insekt, Two Librans, Sons of Temperance, Hot Runes, Way Round e Serum.

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2. Perverted by Language (1983)
O sétimo álbum do The Fall é o meu segundo mais amado.
É o primeiro disco a contar com Brix Smith na formação da banda. O terceiro e último a ser lançado pela Rough Trade.
Ao escutar pela primeira vez Eat Y'self Fitter, numa de suas sessões pela BBC, John Peel disse no ar que durante a música desmaiou e que teve de ser ressuscitado por seu assistente. Depois disso Joh Peel escolheu Eat Y'self Fitter como uma das músicas que ele levaria para uma ilha deserta.
É muito clássico num disco só: Neighbourhood of Infinity, Smile, I Feel Voxish, The Man Whose Head Expanded, Kicker Conspiracy, Ludd Gang e Wings.

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1. Grotesque (1980)
Pronto, aqui meu preferido dentre todos os álbuns do The Fall: Grotesque (After the Gramme), de 1980; terceiro disco da banda, lançado pelo selo Rough Trade.
Simples: este disco é perfeito - DIY, lo-fi, letras cortantes e certeiras, performance única, inspiração e coragem.

Aqui toda a lista das músicas:
1. Pay Your Rates
2. English Scheme
3. New Face In Hell
4. C 'n' C-S Mithering
5. The Container Drivers
6. Impression Of J Temperance
7. In The Park
8. WMC-Blob 59
9. Gramme Friday
10. The NWRA
Bonus Tracks
11. How I Wrote 'Elastic Man'
12. City Hobgoblins
13. Totally Wired
14. Putta Block
15. Mark E Smith Self-Interview 1980

Pessoal:
Mark E. Smith – vocais, operação de fita, kazoo, guitarra
Marc Riley – guitarra, teclado
Craig Scanlon – guitarra
Steve Hanley – baixo
Paul Hanley – bateria
Kay Carroll – "vocais extra"
Geoff Travis – produção
Grant Showbiz – produção


8 de fevereiro de 2015

Entrevista d'AEdB no Dissonance from Hell



O duo de música experimental A Espiral de Bukowski, que eu faço com a Mariana Cetra, foi entrevistado pelo blog Dissonance From Hell, do Rio de Janeiro.
A entrevista é curta e gostamos muito de responder às perguntas do Jhones Silva. Ele tem um projeto musical chamado God Pussy que eu ainda preciso escutar.

Uma das perguntas era sobre nossas influências e na resposta eu acabei esquecendo de incluir alguém que também influencia bastante AEdB: Max Abate, que nos anos 90 tinha a banda GDE e que hoje toca o selo Plataforma e faz música experimental de primeira como Antoine Trauma.


4 de fevereiro de 2015

Inteligência Artificial


Quando assisti ao filme A.I. - Inteligência Artificial, uma década atrás (ou mais), foi tedioso. Aliás acho que nem cheguei ao final, devo ter dormido.

Começa como um filme de suspense e termina em ficção científica. Achei sem pé nem cabeça e anticlímax. Não entendi como Kubrick poderia ter concebido um filme assim e cheguei a acreditar que Spielberg teria feito o filme apenas como algum tipo de homenagem ao ídolo.

Somente quando assisti ao filme Her - Ela, de Spike Jonze, há pouco mais de um ano, que me bateu forte esse tema (da inteligência artificial) e de lá para cá tenho me deparado com uma avalanche de referências.
Cheguei ao Her por conta do Jonze e da trilha do Arcade Fire, sem saber como seria, mas gostei muito.
Muita gente que assistiu a Her achou o filme tedioso - mais ou menos o que eu tinha sentido ao assistir A.I. - Inteligência Artificial.

Assisti novamente a A.I. – Inteligência Artificial e pirei.
Recentemente senti a mesma empolgação, ao assistir a Transcendence: A Revolução, com Johnny Depp e Morgan Freeman.

Cada um dos três filmes apresenta o tema sob um prisma diferente e cada um teve também uma recepção diferente, mas é inegável que a discussão em torno das questões sobre a inteligência artificial não mais se limita aos laboratórios e círculos acadêmicos.

Porém pouca gente fora desses ambientes encara a inteligência artificial como um tema realmente importante.

Até decidir escrever este texto eu simplesmente sentia vergonha de dizer o que eu penso a respeito, isto é, que a inteligência artificial poderá ser a causa da extinção de nossa espécie.
Uma vez acenei isso numa conversa com um amigo, culto e bem informado; ele discordou de mim duplamente, dizendo que a inteligência artificial já existe atualmente.

Mesmo com gente como Stephen Hawkins alertando sobre os riscos que a inteligência artificial pode impor à nossa espécie, a maioria tende a considerar essa uma questão insignificante, quando comparada a problemas como a degradação do meio-ambiente ou uma guerra mundial com armas nucleares e/ou biológicas.

Decidi escrever isto aqui enquanto lia o mais novo artigo de Tim Urban no blog WaitButWhy.com.
Ao invés de escrever um monte aqui, melhor seria se eu traduzisse logo o artigo dele, mas vai ficar para uma próxima (estou editando áudio d’AEdB e escrevendo meu segundo romance...).

Há um monte de artigos por aí sobre o assunto, em publicações variadas - desde Vice, passando por Wired, até publicações como Science magazine; mas se você não puder ler em inglês, sem problemas, aqui uma palestra do TED sobre o assunto com legenda em português do Brasil (a legenda foi traduzida por mim).
A palestra é do tecnólogo Jeremy Howard e ele fala justamente sobre os avanços tecnológicos que, seguindo um padrão de crescimento exponencial, podem nos levar à chamada inteligência artificial plena antes da metade deste século.

A partir de então seria questão de vinte anos (ou menos) para que a chamada superinteligência pudesse ultrapassar a capacidade intelectiva de toda a humanidade e embaralhar todo e qualquer tipo de previsão atual sobre os limites de realidade e futuro.

Afinal, seriam os deuses astronautas ou computadores? Alguém aí já assistiu ao filme The Singularity?
Hehe, agora vou terminar de ler o artigo, fui.


Ah, aqui um texto da wikipedia sobre o assunto, em português:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Singularidade_tecnol%C3%B3gica



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Crédito da imagem: NASA, ESA, J. Hester and A. Loll (Arizona State University)

http://pt.wikipedia.org/wiki/A.I._-_Inteligência_Artificial

http://pt.wikipedia.org/wiki/Her

http://pt.wikipedia.org/wiki/Transcendence

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/12/141202_hawking_inteligencia_pai

http://waitbutwhy.com/2015/01/artificial-intelligence-revolution-2.html

http://motherboard.vice.com/read/super-intelligent-ai-could-wipe-out-humanity-if-were-not-ready-for-it

http://motherboard.vice.com/read/the-dominant-life-form-in-the-cosmos-is-probably-superintelligent-robots

http://www.wired.com/2015/01/the-evolution-of-artificial-intelligence/

http://www.sciencemag.org/search?site_area=sciencejournals&y=0&fulltext=artificial+intelligence&x=0&journalcode=scitransmed&submit=yes

http://pt.wikipedia.org/wiki/TED_(conferência)

http://go.ted.com/wmi

http://en.wikipedia.org/wiki/The_Singularity_%28film%29

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22 de janeiro de 2015

A pena de morte e a guerra às drogas - Brasil e Indonésia - 01/2015

(publicado no site Pragmatismo Político)

Dois brasileiros foram condenados à pena de morte por fuzilamento na Indonésia, por tráfico de drogas.

Um deles, Marco Archer Cardoso Moreira, foi executado em 17/01/2015. Foi o primeiro brasileiro executado por um governo estrangeiro na história. O governo brasileiro fez dois pedidos de clemência ao governo indonésio, tentando alterar a punição para evitar e pena capital, por questões humanitárias, mas não foi atendido.

O outro condenado, Rodrigo Muxfeldt Gularte, também deverá ser fuzilado, em fevereiro de 2015.

A Indonésia tem uma das leis antidrogas mais rígidas do mundo, incluindo a pena de morte para o crime de tráfico. Quem for pego com mais de cinco gramas de droga pode ser condenado à morte, inclusive estrangeiros.

E na Indonésia a maioria apoia a pena de morte, mas é pertinente salientar que com o passado recente desse país, sangrento e corrupto, era mesmo de se esperar.

Para quem quiser saber mais sobre como o povo indonésio lida com a violência e a morte, indico os filmes de Joshua Oppenheimer.

A pena de morte para crimes civis foi aplicada pela última vez no Brasil em 1876 e não é utilizada oficialmente desde a proclamação da república.

Até os últimos anos do império, o júri continuou a condenar pessoas à morte, ainda que a partir de 1876 o imperador Dom Pedro II comutasse todas as sentenças de punição capital.

O jornalista Carlos Marchi, autor do livro "A Fera de Macabu", sobre como foi aplicada a pena de morte por enforcamento ao fazendeiro carioca Manoel da Motta Coqueiro (que era inocente), observa que a finalidade principal da pena de morte no Brasil era reprimir e amedrontar os escravos - não à toa a punição foi retirada do Código Penal com a proclamação da República, pouco mais de um ano depois da abolição da escravidão em 1888.

O inciso 47 do artigo quinto da Constituição de 1988 diz que "não haverá penas de morte, salvo em caso de guerra declarada". Ou seja, a pena de morte no Brasil foi abolida para todos os crimes não-militares. O artigo 60 faz dessa abolição da pena de morte uma cláusula pétrea, ou seja, qualquer mudança no texto dependeria da convocação de uma Assembleia Constituinte que elaborasse uma nova Carta, algo tido como bastante improvável.

Segundo uma pesquisa do Datafolha de 2013, 50% dos brasileiros acham que não cabe à Justiça determinar a morte de uma pessoa, mesmo que ela tenha cometido um crime grave. Outros 46% se disseram favoráveis à punição.

Em 2008 essa pesquisa do Datafolha indicou um empate técnico (46% - 47%) e em 2002 a maioria queria a pena de morte no Brasil (45% contra e 51% a favor).

Essa tendência de declínio do apoio popular à pena de morte vinha sendo sentida não somente no Brasil, mas também em outros países.

Segundo um levantamento do Pew Research Center, o número de americanos que reprovam a pena de morte para condenados por homicídio passou de 31% em 2011 para 37%, em 2013, e segundo o Centro de Informações da Pena de Morte dos Estados Unidos, 2014 teve o menor número de execuções dos últimos 20 anos.

Mas desde os desdobramentos das manifestações de junho de 2013, com a descrença nos políticos e decorrente queda nas pesquisas de aprovação da presidenta Dilma (curiosamente isso não se aplicou ao governador Alckmin, que foi reeleito no primeiro turno com votação recorde e sem ter divulgado plano de governo), passando por todo o período conturbado da Copa do Mundo e culminando na campanha eleitoral de 2014, que escancarou de vez uma situação de conflito de ideias e confronto político numa sociedade cada vez mais dividida e agressiva, tudo pode virar motivo para mais lenha na fogueira...

O caso do fuzilamento do brasileiro na Indonésia conseguiu unificar esses dois temas: a pena de morte e a chamada guerra às drogas. Foi um prato cheio para uma série de debates em nada construtivos.

Na grande mídia brasileira o apoio à pena de morte e à guerra às drogas vem tomando espaço nos telejornais e na programação em geral.

Nas redes sociais também tem muita gente se manifestando a favor da pena de morte e da guerra às drogas. Figuras públicas, como Luiz Bacci (apresentador da Band), publicam coisas como “parabéns à polícia de SP por ter mandado 4 bandidos para o saco”, e milhares de pessoas nos brindam com comentários defendendo, incentivando e/ou comemorando a morte dos bandidos, na grande maioria das vezes numa escrita que ignora a gramática da língua portuguesa.



“Bandido bom é bandido morto”

Quem nunca ouviu algo assim da boca de alguém defendendo a pena de morte?

Tenho visto esse tipo de coisa todos os dias nas redes sociais. Daí inclusive meu interesse em escrever isto aqui.

Pois então, eu pergunto, o que é um bandido?

E o dicionário me responde o que eu já suspeitava: Bandido é alguém mau caráter e de pouca honestidade que vive de atividades ilícitas.

Diversos canais religiosos aqui no Brasil, como por exemplo gospelprime.com.br, marcofeliciano.com.br, gospelmais.com.br, comunhao.com.br, vcsabiacatolico.com.br,portalconservador.com, livreseradicais.com, levitasnews.com.br, entre outros, divulgaram matérias dizendo que a Arábia Saudita decretou a pena de morte para quem for pego com a bíblia cristã.

No Irã a apostasia e o adultério são punidos com a pena de morte. Em 2011 um homem chamado Abdolreza Gharabat foi condenado e executado por enforcamento porque estaria evangelizando jovens no sudoeste do país.

Eu não consigo lembrar de qualquer mobilização a respeito aqui no Brasil (a favor ou contra).

Veja, caro leitor, se você for um cristão brasileiro e for pego com a bíblia na Arábia Saudita, saiba, você também será um bandido e será condenado à pena de morte. O crime é outro, mas é um crime, afinal a lei do país é aquela. O mesmo em relação ao cônjuge safadinho que pular a cerca no Irã.

Poderá ser dito que nesse caso é a lei desses lugares que é estúpida pois usa a pena de morte de forma equivocada. Acontece que para a maioria dos indonésios, sauditas e iranianos, a lei deles é justa.

Será que se fosse um brasileiro condenado à pena de morte por carregar a bíblia na Arábia Saudita ou por adultério no Irã, haveria todo esse apoio à pena de morte e essa comemoração à morte do bandido em questão?

Quando penso nas execuções perpetradas pela Polícia Militar nas periferias das cidades brasileiras, fico ainda mais triste, afinal nesses casos não há julgamento nem condenação nem direito à defesa no judiciário, o que acontece é que o PM decide ali mesmo e coloca em prática essa pena de morte informal.

Entre 1980 e 2006 foram 11627 casos de execução sumária no Brasil, segundo o Banco de Dados da Imprensa - NEV/USP - CEPID. Ou seja, média de mais de uma execução por dia no nosso país desde 1980.

Pior, 2654 desses casos aconteceram no RJ e 8422 foram em SP. Sim, em SP a cada 12 dias pelo menos 10 pessoas são executadas pela polícia.

Para se ter uma ideia da barbárie brasileira, em 2013 houve 778 execuções oficiais no mundo, 96 a mais do que em 2012 (dados da Anistia Internacional).

E olha que essas execuções respeitam a lei desses países e percorrem os caminhos do judiciário etc, as execuções sumárias da PM no Brasil são ilegais!

E isso é apenas a ponta do iceberg.

A violência policial amplifica a violência do crime. É uma espiral de violência sem fim.



Defender a pena de morte para combater o crime?

Quem defende a pena de morte costuma argumentar usando o medo.

O medo que essa pessoa sente de um dia passar por uma situação de perigo de morte nas mãos de um bandido, o medo que ela sente de um dia perder alguém querido assassinado por um bandido.

E também o medo que essa pessoa acha que todo mundo compartilha, por isso que escuto tantas vezes frases do tipo “eu queria ver você ser contra a pena de morte defendendo bandido na mira de uma arma sendo assaltado”. Obviamente eu "cagaria" de medo na mira de uma arma, sendo assaltado, como qualquer ser humano saudável, de acordo com meu modo de ser. Mas infelizmente cada um dá um valor diferente à vida, nem todos sentem os mesmos medos. Para alguém que não valoriza muito a vida, a pena de morte não será eficaz como querem fazer crer.

Quem tem menos ou nada a perder, se preocupa menos com medo da morte.

E assim como amor tende a gerar amor, violência tende a gerar mais violência.

Quem defende a pena de morte afirma que se trata de uma medida para impedir crimes.

Não impede, isso está comprovado. E nem me refiro ao assassinato do bandido perpetrado pelo Estado.

Nos países onde há a pena de morte os crimes continuam a ocorrer e em muitos deles inclusive aumenta, basta ver as estatísticas.

Um estudo publicado pelo Jornal de Lei Criminal e Criminologia da Universidade de Northwestern, em Chicago, mapeou as opiniões de 67 pesquisadores americanos que se especializaram nesse tema. Para 88,2% deles, executar detentos não tem qualquer impacto nos níveis de criminalidade.

Segundo Joe Domanick, diretor do Centro de Mídia, Crime e Justiça da Universidade da Cidade de Nova York, "as pessoas que cometem os crimes mais violentos, que em geral são crimes de paixão ou acertos entre gangues, claramente não se preocupam com a pena de morte ao cometê-los".

Nos 36 estados americanos que adotam a pena, o índice de assassinatos por 100 mil habitantes é maior que o registrado nos outros 14 estados que não condenam à morte.

Na França, especialistas em segurança pública garantem que a violência não explodiu depois que a guilhotina foi aposentada em 1977. No Irã, o exemplo é inverso: a pena de morte foi reintroduzida em 1979 com a revolução islâmica, mas não significou nenhuma redução das taxas de criminalidade.

A pena de morte impede que aquele mesmo bandido volte a cometer crimes, mas incentiva um comportamento mais violento em todas as situações, pois qualquer bandido saberá que uma vez capturado ele provavelmente será morto pelo Estado.

Defender a pena de morte não vai evitar o risco que qualquer pessoa passa diariamente de ser assaltado ou assassinado.

Outra forma de argumentação dos defensores da pena de morte é algo como “se você defende bandido você faz parte da bandidagem”.

Toda vez que alguém vem com uma dessas para mim, eu respondo pedindo para essa pessoa me apontar um crime meu, na maioria das vezes a argumentação deles continua com algo como “todos cometemos pequenos delitos diariamente, isso nada tem a ver com os crimes passíveis à pena de morte”, e na sequência já aponto a essa pessoa que ela sim está infringindo algum dos artigos do código penal que tratam dos crimes contra a honra (138, 139 e/ou 140), pois ninguém pode sair dizendo que eu cometo crimes diariamente ou coisas do tipo sem ter prova.

Não defendo bandido, pelo contrário. A questão é simples, não precisamos endurecer as leis, precisamos fazer com que as leis existentes sejam aprimoradas e principalmente cumpridas. E mesmo assim, quando as leis não forem cumpridas, e isso realmente ocorre frequentemente, devemos lutar para que quem descumpriu a lei responda por isso.

Voltarei a esse ponto logo mais, antes de abordar a guerra às drogas.

Parte dos defensores da pena de morte canaliza sua própria mágoa, acumulada durante a vida, e converte isso num tipo de ódio cego ao bandido - aquela história do “se eu que tive tantos problemas na vida sou um cidadão de bem, por que devo sustentar criminoso na cadeia? Eu mereço viver sem que eles continuem vivos para acabar com a vida dos outros”. Essa argumentação parte do pressuposto que o erro dos outros é sempre maior e pior que o nosso. Que nossos erros são benévolos e que os erros dos outros são perversos.

Para essas pessoas eu pergunto: Por que será que você carrega tanta mágoa? E por que será que os criminosos se tornaram criminosos?

Ninguém nasce bandido ou bom samaritano, temos sim características genéticas bem precisas, mas que se referem à nossa espécie e não sobre questões como essa - se seremos ou não bandidos quando adultos, quem de nós será ou não; desde o nascimento (e até mesmo antes), cada um de nós vai sendo preenchido e/ou moldado à medida em que crescemos, de acordo com as influências ao nosso dispor.

Há também quem genuinamente sinta prazer com um bandido sendo morto. E esse é um caso mais difícil.

Trata-se de desvio psicossocial, algo muito grave. Que pode ter sido causado por falta de amor quando criança e diversos outros fatores.

Obviamente pode-se dizer que sentir prazer com a morte de um bandido é preferível a assassinar alguém, mas é impossível negar que sentir prazer com a morte de quem quer que seja demonstra o mesmo princípio de um assassino.

Aliás, vou além, tenho plena convicção de que nem todo assassino condenado à pena de morte tenha matado por prazer.

Sentir prazer com a morte de bandidos não é crime. Sentir prazer com a dor alheia não é crime. Eu sei que não.

Mas na minha opinião a demonstração desse tipo de sentimento deveria se tornar crime sim. Assim como o racismo e a homofobia.

As leis são mera convenção, representam a evolução de uma sociedade. No Brasil escravizar já foi algo perfeitamente legal e o voto para a mulher já foi proibido. Creio que hoje a grande maioria realmente concorda que as leis melhoraram para corrigir esses absurdos.

Somos em 7 bilhões de pessoas neste planeta e se formos impor a pena de morte a todos que cometeram crimes e nos causam medo, que tipo de vida terá quem conseguir sobrar?

Infelizmente, uma vida pautada na violência e no medo, usando a morte como arma institucionalizada do Estado contra os dejetos sociais.

Assassinato é um crime, não há dúvidas em relação a isso. Se um bandido merece que o Estado o mate, o que merece esse Estado?

Para diminuir os crimes, devemos tratar as causas dos crimes, nada justifica a morte.

Ah, alguém quer que eu me aprofunde na questão das condenações de inocentes?



Ao invés de matar por que não recuperar?

Uma característica dessa pena de morte informal brasileira pode ser facilmente percebida: Só acontece com bandido “peixe-pequeno”, pois bandidos de colarinho branco, ricos, empresários sonegadores de milhões, políticos corruptos, entre outros, continuam ricos e soltos.

Como já vimos acima, os criminosos de colarinho branco também são bandidos, mas curiosamente esse tipo de bandido não corre o risco de ser executado sumariamente por algum PM.

Aí que mora a parte mais podre dessa estrutura toda em que estamos encravados hoje no Brasil.

Exatamente como era quando havia a pena de morte institucional no Brasil antes da proclamação da república.

Pois a pena de morte informal brasileira serve apenas para descartar os dejetos sociais, isto é, o bandido “peixe-pequeno” que não se enquadra (mais) no sistema sujo em vigor, causando burburinho em meio aos defensores do “bandido bom é bandido morto”. Enquanto isso o bandido “peixe-grande” continua atuando livremente com o apoio tácito de grande parte da população.

E tome chacinas, rebeliões reprimidas com massacre, propinas, tráfico de influência; nas favelas, nas delegacias, nos fóruns, nas penitenciárias...

E aqui voltamos: Por conta desse modo de pensar e agir o sistema é corrupto.

Assim como o bandido que rouba a mão armada e assassina, toda e qualquer pessoa que cometer um crime deve sim ser punido, oras. Tem gente que sem precisar apontar uma arma na cara de ninguém comete crimes que geram indiretamente a morte de muitas pessoas.

Os agentes da lei que são corruptos ou cometem atos ilícitos (como execução sumária ou violência policial, propina ou tráfico de influência, entre outros), devem ser punidos também.

Sem isso não teremos justiça, teremos um sistema repleto de corrupção, segregação, medo, ódio e violência.

Se ao invés de matarmos esses dejetos sociais, que por uma razão ou outra hoje realmente não contribuem para uma sociedade melhor e seguem cometendo crimes, os punirmos perante a lei e também partirmos para uma política de recuperação, de reeducação, os resultados serão muito melhores, não apenas para eles, mas para todos, tenho convicção disso.

Mas para que uma política de recuperação do criminoso seja bem-sucedida, será preciso identificar, punir e recuperar também os agentes da lei que são corruptos.

Além, é claro, da desmilitarização das PMs, da reformulação dos valores da polícia e de investimentos em treinamento e melhores condições para os policiais e demais agentes da lei.

E mesmo assim, uma política de recuperação de criminosos é apenas a ponta do iceberg, pois a evolução de nossa sociedade depende da educação das futuras gerações, aí sim é que reside o desafio maior e mais recompensador para nossa sociedade como um todo.

Uma educação pautada no respeito mútuo, na valorização da diversidade, no aprendizado transformador, e sim, acreditem, no amor.



Guerra às drogas

A guerra contra as drogas é o termo usualmente aplicado à política de repressão e intervenção militar feita pelos governos ao redor do mundo, visando acabar com a produção, o tráfico e o consumo de drogas ilícitas; o termo foi usado pelo presidente Richard Nixon em 1971 numa grande ofensiva - em ação até hoje - inspirada numa convenção da ONU de combate às drogas em 1962.

Antes de 1860 toda e qualquer droga era livremente produzida e distribuída nos EUA sem qualquer tipo de identificação ou controle.

Em 1906 foi aprovada nos EUA a Lei de Pureza de Alimentos e Drogas, que exigia que drogas como heroína, cocaína, álcool e maconha tivessem rótulos especificando composição e dosagem (as drogas continuaram a ser livremente disponíveis, desde que apresentando rótulos).

Em 1914 a Lei Antidrogas Harrison regulamenta a heroína e a cocaína (pela primeira vez tornando mais difícil o uso recreativo).

Em 1919 o álcool foi banido nos EUA, causando a clandestinidade dos produtores (que continuaram a produzir, porém com menor controle de qualidade), uma queda na economia formal e o fortalecimento da máfia (que antes da proibição limitava suas atividades a prostituição, jogo e roubo, passando então a operar com força máxima ao álcool).

A partir de 1928 a Convenção Internacional do Ópio proibiu o uso recreativo da heroína e da cocaína (além de pela primeira vez acenar para uma proibição da maconha).

Em 1933 o álcool voltou a ser liberado nos EUA.

O Ato Fiscal da Maconha de 1937 serviu de base para a proibição total da maconha nos EUA a partir de 1952.

Em 1976 entrou em vigor no Brasil a conhecida Lei de Tóxicos (n. 6.368). O fundamento da Lei era reprimir o consumo de drogas porque, na mentalidade do legislador, o uso de drogas está associado ao estímulo a comportamentos propensos à criminalidade.

Esse fundamento se concretizou, isto é, o consumo foi realmente reprimido, mas essa repressão causou mais problemas do que a própria droga seria capaz de causar; além de ainda existir muita gente consumindo, agora temos o tráfico de drogas cada vez mais poderoso e sanguinário; um novo universo criminoso foi criado a partir dessa guerra às drogas.

A previsão de todo legislador e governante que adotou a guerra às drogas como política para lidar com quem se dedica à produção e ao consumo de drogas ilícitas era que a as autoridades iriam impedir a produção, a distribuição e o uso das drogas rapidamente e permanentemente, isto é, que a tal guerra às drogas seria vencida e que a sociedade deixaria para trás todo tipo de droga classificada como ilícita, salvando assim o usuário dos malefícios das drogas e evitando comportamentos criminosos por parte dos “drogados”.

Mas aconteceu de outra forma: Não foi o comportamento da pessoa que usa a droga que causou desordem e crimes; a pessoa que experimenta e gosta de uma droga ilícita, mesmo sabendo que a droga é ilícita, continua usando a droga e com isso precisa encontrar quem produza e forneça essa droga.

Foi a partir disso que o papel do traficante de drogas foi se fortalecendo, cada vez mais, pois a procura pela droga gera uma demanda, que o traficante supre.

Essa situação permitiu a criação de um enorme mercado de trabalho informal e acaba por movimentar dinheiro, e no caso estamos falando de muito dinheiro, sustentando a indústria do tráfico e todos os crimes derivados dessas atividades que todo traficante aceita como inevitáveis para a manutenção desse sistema (por exemplo, assassinatos, assaltos, pagamento de propina a policiais, agentes da lei e políticos, lavagem de dinheiro, entre muitos outros).

Cada vez que um candidato a algum cargo de governante, que prometeu combater as drogas visando aumentar a segurança da população, é eleito e coloca essa política de guerra às drogas em ação, a maioria da população acaba não enxergando a situação em perspectiva e percebe apenas as consequências (a violência).

Em matéria de segurança pública, o fato é que há várias décadas todo governante no Brasil (seja federal ou estadual) se limita a lutar uma mesma guerra e de uma mesma forma.

A cada eleição vemos as mesmas promessas, “vamos ampliar o combate às drogas para a segurança da população”, mas ao invés de acharmos que o próximo governante vai finalmente conseguir resolver essa questão de uma vez por todas, afinal “bandido bom é bandido morto”, precisamos urgentemente aceitar que a tal guerra às drogas nunca foi vencida em todos esses anos e que, mesmo com todos os bandidos que a polícia continua matando, sempre aparecem outros bandidos e o resultado final disso tudo nunca foi a segurança da população, afinal a violência abala a sociedade, as drogas continuam sendo produzidas e consumidas e o tráfico continua a atuar.

Em janeiro de 2012 o governo brasileiro se comprometeu a liberar 4 bilhões de reais até 2014 para o programa de combate às drogas. Com esse dinheiro muita coisa positiva poderia ser feita.

A lei Antidrogas (11.343/06) foi promulgada com a pretensão de diminuir o número de presos, ao determinar tratamentos ou penas alternativas aos usuários. Porém, nesses últimos 5 anos, a venda de drogas tornou-se o delito mais comum e a quantidade de detentos por tráfico teve um incremento de 166%, enquanto a população carcerária de modo geral cresceu bem menos, 36%. Esses dados demonstram que a repressão policial tem se mostrado produtiva, porém o incremento no consumo de drogas em todo o país faz com que aumente também a ação dos traficantes.

Outro aspecto pouco abordado sobre a guerra às drogas é a grande quantidade de pessoas que, depois de já terem cumprido suas penas por tráfico ou consumo de drogas, são segregadas e relegadas a uma condição permanente de inferioridade na hora de procurar trabalho e moradia, inclusive contribuindo para que muitos voltem a traficar ou consumir.



O tráfico só cresce em meio a violência e corrupção

O tráfico atua não somente nas favelas, como muita gente acha. O tráfico atua também nas prisões, nas ruas, nas fronteiras e em todas as esferas da sociedade.

Para continuar existindo, o tráfico alicia crianças para o transporte e venda das drogas, alicia policiais para que os flagrantes não aconteçam, alicia agentes da lei para que os processos não resultem na punição justa, alicia agentes penitenciários para fugas ou privilégios proporcionando o tráfico dali mesmo, e claro, alicia políticos.

Sim, o tráfico conta com o apoio de gente de todas as esferas do poder.

Como o tráfico consegue tudo isso?

Oras, dinheiro. O tráfico mata mas tem dinheiro vivo.

Mas para que o tráfico não perca seu poder, mantendo suas atividades (comprando armas, subornando policiais, agentes da lei e políticos etc), precisa continuar lutando para ganhar a tal guerra. E o tráfico percebeu faz tempo que a guerra às drogas não será vencida pelos governos com essa política de repressão. Afinal a violência e a corrupção são o habitat natural do tráfico.

O tráfico precisa que as drogas continuem ilícitas.

Se as drogas forem legalizadas o tráfico terá que abandonar o seu modo de existir. Aliás, se as drogas forem legalizadas o monopólio que faz do tráfico essa força invencível deixará de existir.

O tráfico só sabe funcionar ao redor da violência e da corrupção, afinal traficante não fornece nota fiscal, traficante não registra em carteira, traficante não paga impostos nem INSS, traficante não obedece normas de segurança nem controle de qualidade reconhecidos, traficante não precisa gastar com publicidade etc.

Trocando em miúdos podemos dizer que a guerra às drogas, além de não ser capaz de acabar com as drogas, se tornou a causa dos mesmos problemas que ela supostamente deveria resolver: violência e corrupção.

A violência que supostamente viria dos “drogados”, acabou vindo da guerra entre os poderes em questão (tráfico e governos); e a corrupção que a droga supostamente provocaria nos “drogados” colaborando para denegrir a sociedade, acabou vindo da promiscuidade entre traficantes e agentes da lei e políticos.

Um exemplo gritante dessa promiscuidade é o caso absurdo da apreensão de quase meia tonelada de cocaína dentro de um helicóptero que tinha acabado de pousar numa fazenda perto da cidade de Afonso Cláudio no Espírito Santo em novembro de 2013.

O helicóptero é de propriedade da empresa Limeira Agropecuária, da família do senador Zezé Perrella do PDT (seu filho, o deputado Gustavo Perrella do partido Solidariedade, é sócio da empresa e dono do helicóptero).

A PM prendeu quatro pessoas no ato, dentre eles o piloto Rogério Antunes, que era funcionário de confiança dos Perrella e ocupava um cargo de nomeação na Assembleia Legislativa de Minas Gerais por indicação de Gustavo Perrella.

Devido à grande quantidade de droga apreendida o caso foi passado para a Polícia Federal.

A PF divulgou que o helicóptero pegou a droga no Paraguai e fez escala no estado de SP (ou seja, tráfico internacional).

Absurdo, não?

Que nada, continue lendo que tem mais!

A empresa de Perrella, proprietária do helicóptero, já estava sendo investigada pelo Ministério Público por ter recebido mais de 2 milhões de reais num esquema de corrupção em MG.

A fazenda onde pousou o helicóptero com a cocaína já vinha sendo monitorada pela PM por suspeita de lavagem de dinheiro (a denúncia era de que a fazenda tinha sido negociada por um valor 3 vezes acima do mercado).

Passado apenas um dia da operação que resultou na apreensão da droga, a PF descartou o envolvimento dos Perrella no episódio e as investigações não deram resultado algum (não se sabe com quem o piloto pegou a droga e a quem era destinada).

O piloto afirmou que o deputado Perrella sabia que o helicóptero iria pousar em Afonso Cláudio.

Em abril de 2014 o piloto e os outros três que tinham sido presos foram libertados pela Justiça.

A grande mídia simplesmente esqueceu do caso, nenhum telejornal noticia mais e todos estão soltos.

Enfim, o caso parece ter virado pó.

Ah, o novo secretario de segurança pública de SP, Alexandre Moraes, empossado pelo governador Geraldo Alckmin do PSDB, foi advogado do PCC (Primeiro Comando da Capital) - a maior organização criminosa do tráfico de drogas de SP.

Sim, Moraes defendeu o PCC em 123 processos judiciais e agora comanda a PM.



Que droga você usa?

As drogas lícitas (legais) mais comuns hoje no Brasil são o álcool e o cigarro.

As drogas ilícitas (ilegais) mais comuns hoje no Brasil são a maconha e a cocaína.

O LENAD (Levantamento Nacional de Álcool e Drogas), um relatório com nome dúbio (afinal álcool é uma droga), realizado pelo INPAD, da UNIFESP; financiado pelo CNPq e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo aponta o seguinte em relação ao álcool no Brasil: 64% dos homens e 39% das mulheres adultas relatam consumir álcool regularmente (pelo menos uma vez por semana).

Podemos deduzir que pelo menos metade da população brasileira consome álcool regularmente. São mais de 100 milhões de pessoas.

Elaborado pelo Escritório da ONU sobre Drogas e Crime (UNODC, na sigla em inglês), o Relatório Mundial sobre Drogas aponta que uma média de 243 milhões de pessoas usaram drogas ilícitas no mundo em 2012.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as drogas ilícitas respondem por 0,8% dos problemas de saúde em todo o mundo, enquanto o cigarro e o álcool, juntos, são responsáveis por 8,1% desses problemas.

Uma pesquisa do Comitê Científico Independente para Drogas da Grã-Bretanha, de 2012, classificou numa escala de 0 a 100 o nível de periculosidade das drogas mais comuns. Confira as oito mais perigosas:
1 - Álcool: 72 pontos (de um total possível de 100).
2 - Heroína: 55 pontos.
3 - Crack: 54 pontos.
4 - Metanfetaminas: 33 pontos.
5 - Cocaína: 27 pontos.
6 - Tabaco: 26 pontos.
7 - Anfetaminas: 23 pontos.
8 - Maconha: 20 pontos.

Sim, segundo esse estudo o álcool pode ser quase três vezes mais perigoso do que a cocaína e quase quatro vezes mais perigoso do que a maconha.

Ainda assim qualquer um pode consumir álcool sem ser incomodado, em qualquer bar, do mais simples ao mais luxuoso, enquanto que ao consumir maconha, qualquer pessoa sem amigos importantes pode parar na cadeia ou mesmo morrer assassinada por algum PM ou traficante numa viela qualquer.

As pesquisas sobre os efeitos benéficos de drogas ilícitas estão aparecendo faz tempo por aí, basta ver.

Se ainda há dúvidas sobre os males que essas drogas possam causar, ok, que sejam feitas mais pesquisas e que os usuários sejam acompanhados, mas sem criminalizar.

Recentemente a maconha foi liberada para o uso medicinal no Brasil.

Uma vitória da lucidez e uma admissão por parte do poder institucional que a maconha pode sim fazer bem.

Afinal, não existe overdose de maconha, gente, por favor, maconha não mata.

Cigarro sim, pode matar. Álcool sim, pode matar.
E também preconceito, medo e ódio, sim, podem matar.

O debate sobre a criminalização das drogas precisa ser encarado de forma racional.

Segundo a London School of Economics, o custo da guerra ás drogas já ultrapassou 1 trilhão de dólares!

A mesma ONU que em 1962 inspirou Nixon a iniciar a guerra às drogas hoje assume que a guerra às drogas fracassou. Em junho de 2011 a Comissão Global de Política de Drogas declarou:

"A guerra global contra as drogas falhou, com consequências devastadoras para indivíduos e sociedades pelo mundo. Cinquenta anos após o início da Convenção de Narcóticos da ONU, e quarenta anos depois do presidente Nixon ter lançado a guerra contra as drogas, reformas fundamentais em controle global de drogas nacional e internacionalmente são urgentemente necessárias".

Na longa lista de integrantes dessa comissão estão o ex-secretário de estado dos EUA, George P. Shultz, o ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan, o ex-presidente FHC e ex-presidentes dos seguintes países: Suíça, Colômbia, Chile, Portugal, Polônia, Grécia e México.

Em audiência pública no Senado, em Brasília, ano passado, o secretário nacional de Drogas do Uruguai, Julio Heriberto Calzada, defendeu a regulamentação da maconha sob o argumento de que, após a liberação, o seu país reduziu a zero as mortes ligadas ao uso e comércio da droga.

Não somente o Uruguai, mas também países como Holanda, Portugal e agora, quem diria, também os EUA, já conseguiram demonstrar ao mundo que a liberação da maconha não causou desastre algum, muito pelo contrário.

Desde a pré-história, por séculos e séculos, as drogas foram usadas livremente sem causar os estragos causados pela chamada guerra às drogas.

Eu não gosto de guerra, mas mesmo quem gosta de guerra precisa aceitar que a guerra contra as drogas foi uma forma falha de lidar com o problema e que ela está causando mais e piores problemas em nossa sociedade (muito mais do que qualquer droga seria capaz).

Assumo que no decorrer da minha vida acabei adquirindo um ou dois vícios, mas nenhum deles se relaciona diretamente com drogas (sejam lícitas ou ilícitas).

Consegui abandonar um vício horrível: roer unhas. Ainda não consegui abandonar um vício horrível: coçar a cabeça.

Até meus trinta e cinco anos de idade eu também era da turma do ódio aos “drogados”.

Não sinto vontade alguma de experimentar certas drogas, como por exemplo o cigarro e a cocaína. Mas hoje consigo enxergar que o problema não é a droga, a questão é o que se faz com ela.



Se você conseguiu ler até aqui

A pena de morte e a guerra às drogas comprovadamente não conseguem resolver os problemas que seus defensores temem.

Nossa espécie ainda tem muito a aprender, não me considero um detentor da verdade e sei que há momentos em que qualquer um pode se enfurecer por indignação, mas sinto que para evoluirmos, como indivíduos e como sociedade, precisamos cultivar o amor e o respeito.

Até mesmo nos momentos mais difíceis, pelo menos o respeito sim, sempre.

O que conseguiremos cultivando o amor e o respeito:

Simples, evolução; a humanidade salva.



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Fontes:
https://www.facebook.com/LuizBacci/photos/a.536835079746602.1073741826.110770359019745/763111400452301/
http://spotniks.com/guerra-drogas-em-quadrinhos/
https://medium.com/opinioes-em-portugues/ninguem-e-a-favor-de-bandidos-e-voce-que-nao-entendeu-nada-a7ba54318515
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2015/01/150116_penademorte_ss.shtml
http://www.cartacapital.com.br/internacional/lei-antidrogas-da-indonesia-e-uma-das-mais-rigidas-do-mundo-3293.html
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2015/01/150115_penademorte_pai_jf
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2015/01/150117_morte_fd
http://internacional.estadao.com.br/noticias/oriente-medio,ira-enforca-homem-condenado-por-apostasia,673392
http://super.abril.com.br/cotidiano/pena-morte-686419.shtml
http://en.wikipedia.org/wiki/History_of_United_States_drug_prohibition
http://jornalggn.com.br/blog/luisnassif/o-ranking-das-10-drogas-mais-perigosas
http://drsauloadv.jusbrasil.com.br/artigos/111759614/diagnostico-devastador-drogas-licitas-aumentam-a-criminalidade-x-ineficacia-da-repressao-penal-ao-trafico-de-drogas-ilicitas
http://www.mundoeducacao.com/drogas/drogas-licitas-ilicitas.htm
http://www.senado.gov.br/noticias/Jornal/emdiscussao/dependencia-quimica/crack-chama-a-atencao-para-dependencia-quimica/comissao-global-de-politica-sobre-drogas.aspx
http://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2013/11/25/pf-apreende-450-kg-de-cocaina-em-helicoptero-da-familia-perrella.htm
http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2013/11/1376551-helicoptero-da-familia-de-senador-e-apreendido-com-cocaina-no-es.shtml
http://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/04/1437535-justica-manda-soltar-acusados-de-trafico-em-helicoptero-dos-perrella.shtml
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