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7 de janeiro de 2016

Padrões

O ser humano instintivamente busca padrões na natureza e condiciona a realidade ao conceito de causalidade. 
Este impulso primordial está por trás de coisas distintas como a religião e a ciência. 

A religião foi por muito tempo o que o ser humano tinha de mais avançado para responder as inúmeras questões delicadas e até então sem resposta. 

Então, há aproximadamente 2600 anos surgiram os primeiros cientistas, numa região chamada Jônia (então parte da Grécia antiga, hoje da Turquia); esses pensadores, também conhecidos como naturalistas, foram capazes de compreender a natureza e a realidade como ninguém antes. 

Alguns exemplos de descobertas deles? 
Ok, vamos lá: sistema heliocêntrico com cálculos das dimensões e distâncias do sol e da lua, marés e eclipses (sim, quase dois mil anos antes de Galileu, Copérnico, Kepler e Newton!), pensamento teórico evolucionista (sim, mais de dois mil anos antes de Darwin!), os fundamentos de matérias tais como filosofia, matemática, astronomia, geometria, cosmologia, paleontologia, metereologia, além de algumas experiências primitivas com magnetismo e esboços teóricos sobre gravidade e física de partículas. Sim, temas extremamente requintados e tratados hoje em dia.

Aqui os nomes de alguns dos principais desses sábios: Tales, Anaximandro, Anaximenes, Xenófanes, Heráclito, Epícuro, Anaxágoras, Arquelau, Diógenes, Aristarco, Pítaco, Leucipo, Bias, Melisso...

Por conta deles terem usado a racionalização para saciar a curiosidade e obter respostas, ao invés de se submeterem à religião ou à mitologia, foram relegados.

Com a destruição da biblioteca de Alexandria (destruição essa inclusive de motivação religiosa), todo aquele saber, valioso de uma forma indescritível, foi mutilado e banido...
Sabe quais filósofos gregos não foram relegados? Platão e Aristóteles; que ambicionavam a influência religiosa, receosos ao método científico e defendendo absurdos como a escravidão; que foram usados para moldar dogmas das grandes religiões...

Mil e quinhentos anos se passaram até que o pensamento científico voltasse, e desde então a humanidade vem desenvolvendo novamente a ciência para compreender melhor a natureza e a realidade, com resultados impressionantes.

Mas apesar disso ainda há várias perguntas importantíssimas e delicadas que seguem sem resposta. 
Há quem acredite que o ser humano nunca será capaz de saber a resposta para tudo, ou que ao descobrir a resposta para tudo o ser humano se transformará em outra coisa, há outros que acreditam que a ciência não passa de outra forma de religião...

Ontem no caralivro comentei num post da ótima página Quebrando o Tabu justamente sobre ciência (e religião).
Hoje coincidentemente recebi uma notificação sobre uma palestra TED que pretendo legendar para o português e logo depois vi num documentário da BBC falarem do chamado junk DNA.

Para além das observações triviais sobre a semelhança de formas geométricas na natureza em escalas tão diferentes, como por exemplo o mesmo desenho de espiral num caramujo e numa galáxia, este texto aqui veio da minha observação sobre como há padrões distribuídos na natureza de forma intrigante, tais como:

No interior dos sistemas estelares o que mais existe é espaço vazio; o sistema solar tem mais de 22 bilhões de quilômetros de diâmetro e mais de 99% disso é vazio (o sol responde por mais de 99% da massa total do sistema solar). 

No interior dos átomos (um fio de cabelo humano tem cerca de um milhão de átomos de largura), o que mais existe é espaço vazio. Os elétrons não têm dimensão que possa ser medida e movem-se num espaço vazio ao redor do núcleo. Só uma trilionésima parte do átomo está cheia de matéria. 

A matéria nuclear tem uma densidade inimaginável: uma colher de café cheia dessa matéria pesaria um bilhão de toneladas e se uma maçã fosse ampliada para o tamanho da Terra, os átomos teriam aproximadamente o tamanho da maçã original. 
E apesar disso, sobra muito espaço vazio dentro do átomo. 
Como é possível?
Isso me faz lembrar da palestra TED sobre física de partículas de um cientista italiano do CERN cuja legenda em português é minha (a legenda ainda precisa ser revisada e aprovada).

Somente 5% do DNA humano é útil e somente 5% da matéria no universo é bariônica
Por que não encontramos a utilidade dos 95% restantes de nosso DNA? Por que não conseguimos enxergar os 95% restantes da massa do universo?

O termo teia cósmica é usado para descrever a maneira pela qual as galáxias se distribuem no universo observável. Vistas de longe, elas estruturam-se em linhas que se cruzam e se conectam.
Essa é a mesma estrutura do nosso cérebro.

Nosso cérebro possui cerca de 90 bilhões de neurônios, o universo possui cerca de 90 bilhões de galáxias em seus 90 bilhões de anos-luz de diâmetro e cada uma dessas galáxias possui em média cerca de 90 bilhões de estrelas...

Padrões, sempre procuramos e enxergamos padrões.

Se a ciência for mesmo uma nova forma de religião, como dizem alguns, que seja! Pois levando em conta as grandes religiões dogmáticas, olha, a ciência é uma evolução e tanto!

O problema é como as grandes religiões se apoderaram da espiritualidade para fins materiais através de dogmas; a espiritualidade não é um problema, pelo contrário, muitos cientistas sentem espiritualidade.

Que a curiosidade persista!

19 de dezembro de 2015

Amén

O que dizer de uma seita chamada A Igreja do Monstro de Espaguete Voador?
Parece brincadeira, mas não, é de verdade mesmo.

Como diz O Globo, a seita macarrônica nasceu nos EUA como uma resposta ao governo de George W. Bush, que proibia o ensino da teoria da evolução nas escolas públicas
O Globo ainda diz que a controvertida igreja, também conhecida como Pastafari, é um movimento social que promove uma visão mais leve da religião e se opõe ao ensino do criacionismo nas escolas públicas.

O fiel Niko Alm já tinha tido reconhecido do governo da Áustria, em 2011, o direito de endossar um escorredor de macarrão na cabeça na foto da sua carteira de motorista, e agora em dezembro de 2015 o governo da Nova Zelândia conferiu autorização à igreja para realizar casamentos.

Haha, sensacional, né?!
Demorou demais para alguém aqui no Brasil ter a ideia de fundar uma religião para a catuaba ou a cachaça.

Mussum poderia ser o equivalente a um patriarca.
Copinho de shot ou garrafa poderia se tornar símbolo religioso.

Cerimônias como nascimento (onde os genitores e convidados comemoram), batismo - que seria unificado com primeira cumunhão (somente para 18+), casamento, divórcio, extremunção e velório seriam muito melhores, haha.

Queria ver como, por exemplo, os cristãos iam se comportar quando um fiel estivesse pregando a fé da catuaba ou da cachaça, sabe, o tal respeito à fé religiosa...

Sem falar na prosperidade de tal religião, primeiro por conta do grande número de novos fiéis, e claro, por conta de todas as isenções fiscais e benefícios financeiros destinados às religiões.

Brincadeiras à parte, a superação do esquema em que se baseia todas as grandes religiões do mundo hoje, isto é, dogmas + poder temporal, pode sim ser iniciada por dentro!
A criação de uma nova religião, humanista, pacifista e encarando a própria ciência como deus, serviria para garantir o ensino da evolução nas escolas e a formação de sujeitos ao mesmo tempo espiritualizados (ou seja, não discriminados pelos religiosos fundamentalistas por conta do tal ateísmo "maligno") e dotados de pensamento crítico, o que só pode ajudar rumo a uma futura sociedade melhor; e proporcionaria também um novo nível de alcance da ciência em nossa sociedade hoje mesmo - um alcance muito maior, com projetos muito maiores, mais numerosos e financeiramente muito mais fortes, não apenas por conta da opinião pública, mas também por conta das isenções fiscais e benefícios financeiros que as religiões desfrutam, proporcionando resultados impressionantes, inovando e levando a humanidade a novos patamares de conhecimento e bem-estar, congregando milhões e milhões de pessoas que hoje se perguntam sobre as incoerências e intransigências das religiões, pessoas que sonham com um mundo melhor, mas que não conseguem deixar para trás o medo e a culpa, embutidos pelos dogmas religiosos.

Para uma religião cujo templo máximo seja por exemplo o CERN (ao invés do vaticano etc), cujo requisito para ministrar seja o estudo da natureza, da existência, da realidade e do universo ou a pesquisa científica com valores humanistas, cuja organização automaticamente previna a possibilidade de exercício de poder temporal - respeitando a laicidade do estado - e de enriquecimento ilícito de seus ministros, cujos dogmas sejam o amor, a justiça e o respeito a todos os seres humanos, ao meio-ambiente e o método científico, eu diria amén!

22 de maio de 2015

Zero relativo e Fermi segue firme


Em 22 de abril de 2015 o El País publicou em seu site brasileiro uma tradução da matéria de Javier Sampedro intitulada Encontrado o número de supercivilizações: zero.
A matéria fala sobre uma pesquisa (sem mencionar o nome dessa pesquisa) que a equipe liderada por Jason Wright do Centro para Exoplanetas e Mundos Habitáveis da universidade do estado da Pensilvânia (Penn State) desenvolveu para detectar as chamadas supercivilizações em 100 mil galáxias utilizando um satélite da NASA chamado WISE, acrônimo para Wide-field infrared survey explorer (explorador de investigação infravermelha de campo largo).



Eu não domino o espanhol (para ler o original), mas a matéria traduzida tenta passar um veredito precipitado e equivocado, ao dizer que os dados contidos no resultado da pesquisa "nos colocam novamente sozinhos na imensidão do cosmos".
Infelizmente o El País não foi o único veículo pessimista na imprensa mundial a vincular a pesquisa a esse veredito de solidão - de nossa suposta condição de única espécie de vida inteligente no universo.

Não, eu não estou tentando propagar alguma teoria da conspiração, nem mesmo acredito que possam existir supercivilizações próximas ao nosso planeta.
Sim, o paradoxo de Fermi segue firme como melhor símbolo de nosso conhecimento em relação ao assunto 'vida inteligente extraterrestre'. A Equação de Drake ainda é otimista demais...
Porém é preciso analisar melhor o que representa essa pesquisa para então termos uma panorâmica mais apurada.

A pesquisa usada para a matéria chama-se A Busca Infravermelha Ĝ por Civilizações Extraterrestres com Grandes Fontes de Energia. III. As Fontes Extensas Mais Vermelhas no WISE (The Ĝ Infrared Search for Extraterrestrial Civilizations with Large Energy Supplies. III. The Reddest Extended Sources in WISE) e ficou conhecida como Pesquisa Vislumbrando o Calor de Tecnologias Extraterrestres (Glimpsing Heat from Alien Technologies Survey, ou G-HAT).

A pesquisa define supercivilizações como civilizações de tipo III na Escala de Kardashev e seu método presume que essas supercivilizações emitam alta luminosidade de infravermelho médio (na porção invisível do espectro eletromagnético).



Ou seja, a pesquisa buscou vestígios de alguma civilização super-avançada, capaz de explorar a energia de todas as pelo menos 100 bilhões de estrelas de uma dessas 100 mil galáxias.
Nós, pobres humanos, ainda somos incapazes de explorar até mesmo a energia do Sol (nem mesmo chegamos ao tipo I).

Sim, a NASA e o Centro para Exoplanetas e Mundos Habitáveis da Penn State estão entre os entes mais avançados do mundo nesse campo, mas devemos manter em mente que o método da pesquisa arbitrariamente não levou em consideração que, se são mesmo civilizações capazes de explorar a energia de todas as suas galáxias, é perfeitamente cabível pensar que conseguiriam também alcançar níveis de aproveitamento excelentes, com pouco ou nenhum vestígio detectável por uma civilização como a nossa.



Sim, 100 mil galáxias é um recorte considerável, uma grande extensão, mas devemos manter em mente que o universo observável conta com algo entre 130 e 200 bilhões de galáxias.
Isto é, a pesquisa cobriu mais ou menos 0,00009% das galáxias possíveis.
Se o universo observável fosse do tamanho do planeta Terra, a pesquisa teria coberto menos do que a área do município de Guarulhos.

E olha que a pesquisa ainda acabou encontrando 50 galáxias com níveis excessivos de radiação infravermelha...
Os níveis excessivos dessas 50 galáxias não eram tão altos quanto pretendia a pesquisa e foram descartados pois poderiam ser resquícios de fenômenos naturais como a formação de estrelas.



Ainda não somos capazes de empreender pesquisas eficazes para detectar civilizações de tipos I e II da Escala de Kardashev; se fossemos capazes disso, tenho convicção de que os resultados seriam muito interessantes, pois é perfeitamente compatível com o paradoxo de Fermi pensarmos que possa existir outra civilização de tipo I (até mesmo um pouco mais avançada do que a nossa) em algum planeta de algum sistema de alguma galáxia em alguma parte de nossa vizinhança cósmica, e assim como ainda não seríamos capazes de percebê-los, eles também não teriam condições de nos perceber.

Ou seja, resumindo, ainda há muito a se pesquisar.
Muito em termos de métodos e também em termos de abrangência (no espaço e no tempo).
Afinal esta é apenas a segunda pesquisa desse tipo na história da humanidade.

13 de maio de 2015

Experimentar e respeitar x ter fé e impor

Desde março venho retomando minha rotina de ir para a USP frequentar as aulas do curso de Letras (entre 2002 e 2003 comecei o curso e então tranquei a matrícula – que depois veio a ser cancelada – pois fui morar fora do Brasil) e faz umas semanas que tenho reservado esse trajeto – principalmente o do metrô – para a leitura do livro Cosmos, do Carl Sagan.
Leio algumas páginas por dia e quase todo dia descubro algo que considero muito valioso.


(Sugestão: escute enquanto lê!
https://open.spotify.com/artist/7D9meP7t27vYQwvN7rCcw8)


Ontem eu estava na parte do livro onde Sagan fala do método científico e de sua utilização (ou não) no decorrer da história da humanidade. Mais precisamente sobre a curiosidade humana, sobre nossa capacidade de questionar, investigar e aprender.
Foi muito esclarecedor para mim e de tão empolgado que fiquei, aqui estou. Enxerguei algo bem claramente: evolução.

Eu, que nasci em 1975 e estou escrevendo isto aqui agora, e você, que muito provavelmente nasceu em algum ano entre 1935 e 2005 e que está lendo isto aqui num outro momento – que você também chama de agora –, estamos habituados a escutar termos como ‘ciência’ e ‘tecnologia’, e claro, habituados aos avanços proporcionados por essas atividades.
Mas todos os seres humanos vivos hoje são apenas os integrantes mais recentes dentre os que surgiram na Terra; fazemos parte de um grupo de seres que evoluiu profunda e longamente, a ponto de relativamente dominar este planeta.

Essa evolução é um processo muito sinuoso que começou há longínquos 3,5 ou mesmo 4 bilhões de anos, quando as primeiras bactérias surgiram, num planeta Terra em condições ambientais bem diferentes deste em que vivemos hoje (mas ainda assim o mesmo, no mesmo sistema Solar).
É um processo em andamento e não sabemos onde vai dar.

Hoje existem quase 14 milhões de espécies de seres vivos no nosso planeta e isso representa menos de 1% de todas as espécies que já surgiram na Terra (os outros mais de 99% das espécies, isto é, centenas de milhões de espécies de seres vivos, caíram em extinção).

O primeiro ser humano exatamente como eu e você (anatomicamente) viveu na África há aproximadamente 200 mil anos. De lá para cá viemos descobrindo e desenvolvendo tudo o que sabemos hoje.
Antes disso havia outros tipos de humanos, hoje todos extintos: nossos antepassados e antecessores, das várias espécies integrantes do gênero Homo, que surgiu há mais ou menos 2,5 milhões de anos, também na África.
E antes ainda viviam nossos antepassados primatas, a partir de 75 milhões de anos atrás, de onde viemos nós e também os macacos, chipanzés, bonobos, gorilas e orangotangos.

Os seres humanos que viviam há 30 mil anos atrás, espalhados por África, Europa, Ásia e Oceania, eram tão inteligentes quanto eu e você somos hoje.
Parece loucura eu dizer isso, mas é a mais pura verdade.
Eles já eram capazes de pensamento crítico, abstração de conceitos, planejamento, simbolismos, tecnologia aplicada, comunicação, adaptação cultural e normas sociais.

De acordo com o escritor Daniel Loxton, questionar e investigar – buscando entender as coisas e aprendendo com as descobertas – é algo tão antigo quanto a própria humanidade.
Eu concordo, acredito que isso que a grande maioria de nós sente, essa curiosidade, essa inquietação e essa vontade ou mesmo necessidade de entender as coisas, isso tudo sempre existiu em nossa espécie. Assim como nos surpreendemos ao ver que nossas crianças desde o nascimento apresentam as mesmas características que vemos nos adultos, e mesmo assim à medida em que crescem vão aprendendo cada vez mais coisas.

Mas se a evolução humana já tinha chegado há 30 mil anos ao estágio em que estamos hoje, então por que a confecção de roupas só apareceu há 26 mil anos? Por que a primeira vila (pessoas vivendo em comunidade) só apareceu há 25 mil anos atrás? Por que a cerâmica para cozinhar só apareceu há 20 mil anos atrás? Por que a domesticação de animais só começou há uns 13 mil anos atrás? Por que a agricultura e a civilização só apareceram há 10 mil anos? Por que o uso da roda só apareceu há 7 mil anos atrás? Por que a escrita e o primeiro calendário só apareceram há 6 mil anos? Por que o papel só apareceu há 5 mil anos atrás? Por que a medicina só apareceu há 3,5 mil anos atrás? Por que o uso do ferro e as grandes construções arquitetônicas (pirâmides) só se espalharam há 3 mil anos atrás? Por que o conceito de método científico só apareceu há 2,5 mil anos atrás?

Não sabemos as respostas, as hipóteses são muitas e devem ter sido conjuntos de fatores. Mas temos certeza de duas coisas:
1. Alguns dos seres humanos vão continuar investigando para descobrir as respostas;
2. Olhando para trás, percebemos que a evolução segue um padrão de crescimento exponencial de complexidade.

Ao contrário do que dizem os criacionistas usando a segunda lei da termodinâmica para ‘provar’ a existência de deus, isto é, que o Universo tenderia obrigatoriamente da ordem à desordem, do mais complexo ao mais simples, tornando a origem da vida e o processo evolutivo dos seres vivos impossíveis; podemos facilmente perceber que, senão com o surgimento do universo (pois da vida certamente sim), a lei é perfeitamente coerente com a evolução – do universo e da vida.

Howard L. Resnikoff diz que “a vida é a solução da natureza para preservar informação apesar da segunda lei da termodinâmica”.

Segundo o biólogo Eric Schneider a luta pela vida consiste no esforço dos seres vivos para dissipar o gradiente de temperatura induzido na Terra pela radiação solar. Ao desenvolver mecanismos que promovem maior degradação de energia, é induzida a formação de estruturas ordenadas, tornando o sistema (nesse caso, a espécie de seres vivos) mais complexo.
Uma forte evidência disso é a alta taxa metabólica dos animais homeotérmicos (aves e mamíferos), quando comparada à dos pecilotérmicos (peixes e répteis) – que surgiram 350 milhões de anos antes.
A seleção natural encarregou-se de manter e favorecer as estruturas (espécies) que dissipavam energia de modo mais eficiente, gerando um aumento da complexidade.

Do mesmo modo que não poderíamos esperar sermos capazes de retirar a água do café quente que estava dentro de uma xícara e que essa água, cujas moléculas antes estavam unidas às do café, pudesse se tornar gelo fora da xícara (assim como podemos sim esperar que um cubo de gelo derreta caso colocado numa xícara de café quente), não poderíamos esperar que os seres humanos fossem capazes de inventar a imprensa antes da escrita, o carro antes da roda ou a internet antes do computador.

Há 30 mil anos os seres humanos já eram iguais a nós hoje, sim, mas tinham menos repertório, menos bagagem cultural. E isso significa muito, pois quanto mais descobrimos, mais somos capazes de descobrir, isso leva ao aumento progressivo na taxa de crescimento do conhecimento, tornando as mudanças decorrentes dessas novas descobertas cada vez mais frequentes e maiores.

Hoje muitos de nós, talvez a maioria dos cerca de 7 bilhões de seres humanos que vivem neste nosso planeta, aceitamos sem maiores problemas, ideias que descrevem fatos elementares como por exemplo a Terra ter um formato esférico e orbitar o sol que é o centro do sistema solar, mas no seu livro Cosmos, Sagan me alertou sobre o fato de que, apesar dessa premissa hoje considerada parte do senso-comum ter sido inequivocamente formulada pela primeira vez há cerca de 2500 anos, somente há cerca de 400 anos ela começou a ser aceita.
Não somente isso; há cerca de 2300 anos também houve quem já conseguisse calcular as marés (inclusive associando-as à lua), o tamanho do planeta e sua distância em relação à lua e ao sol!

O que houve com a humanidade, que, ignorou por dois mil anos, ideias engenhosas e sofisticadas que vieram a ser comprovadas com evidências irrefutáveis, se tornando aceitas por toda a comunidade científica?

Se a aparente discrepância entre a capacidade do ser humano de 30 mil anos atrás (exatamente a mesma que a nossa hoje) e a “demora” na evolução pode ser atribuída ao processo natural também descrito pela flecha do tempo da segunda lei da termodinâmica, o mesmo não pode ser dito sobre um período mais próximo ao nosso presente: Sagan me mostrou como essa nossa capacidade extraordinária, de evoluir, recentemente pôde ser reprimida como nunca antes (pelo menos de acordo com os conhecimentos históricos que temos à disposição), atrasando a humanidade de uma forma absurda.

Eu tinha a impressão de que Platão e Aristóteles eram os patronos da ciência. Os pioneiros da busca pelo conhecimento, juntamente com Sócrates.
Isso deve ter sido por conta das aulas de história e ciências, durante o ensino fundamental e médio, na escola.
Nasci e cresci no Brasil e no período em que cursei o ensino fundamental o país estava nos anos finais da ditadura militar e nos anos iniciais da redemocratização. Disciplinas como filosofia e sociologia tinham sido banidas e o currículo de disciplinas como ciências, história e geografia foi adaptado para satisfazer a censura da ditadura reacionária.
O livro Cosmos já tinha sido publicado (foi publicado em 1980) mas obviamente as escolas onde eu estudei nunca o usaram.

Pois bem, dentre os tantos cientistas pioneiros, que séculos antes do cristianismo e antes mesmo de Sócrates, já faziam descobertas maravilhosas sobre a natureza e começavam a compreender suas características mais sublimes, podemos citar Tales de Mileto, Anaximandro, Anaxímenes de Mileto, Xenófanes, Heráclito, Parmênides, Anaxágoras, Zenão de Eleia, Leucipo de Abdera, Demócrito, Eratóstenes de Cirene e Seleuco de Selêucia...

Eles viveram na Grécia antiga, mais precisamente em Jônia (na costa sudoeste da Anatólia – atual Turquia), numa sociedade não governada por uma elite, mas por mercadores; numa sociedade que por conta de sua posição geográfica teve influências de várias outras (como Egito e Mesopotâmia); e principalmente, numa sociedade que permitiu a liberdade de se tentar entender o mundo sem recorrer aos deuses. E infelizmente todos eles foram deliberadamente desprezados a partir da adoção das linhas de pensamento de Platão e Aristóteles.

Há uma visível continuidade no esforço intelectual e nas ideias de Tales no século VII ac com as ideias propostas no século XVII por Newton (depois de Newton, provavelmente ninguém mais teve tamanho impacto na humanidade através da ciência, a não ser Darwin e Einstein).
Assim como há uma visível continuidade no esforço intelectual e nas ideias de Anaximandro e Demócrito com as ideias de Darwin.

Além das ideias de Platão e Aristóteles não permitirem a liberdade que as dos chamados Pré-Socráticos permitiam (e de não serem tão avançadas), descobri que tanto Platão quanto Aristóteles serviam a tiranos e defendiam a escravidão e o elitismo (o direito ao conhecimento para apenas uma pequena e poderosa elite).
Resumindo, os chamados Pré-Socráticos estavam muito mais alinhados com a ciência moderna do que o trio Sócrates, Platão e Aristóteles (com exceção de Pitágoras e seus discípulos, que eram contrários ao método científico e influenciaram Platão).

Platão defendia que os astrônomos pensassem nos céus, não que perdessem tempo os observando. Aristóteles acreditava que os escravos eram seres inferiores e que era melhor para eles estarem sob o jugo de seus senhores.

Os Jônios, e todos os seus cientistas, foram subjugados por outros povos helênicos pois não tinham escravos.
A partir disso a civilização grega desprezou os Pré-Socráticos.

E o resto é a história que todos sabemos (ou deveríamos saber): os romanos dominaram os gregos e adotaram sua filosofia (claro, sobretudo a de Sócrates, Platão e Aristóteles), inclusive adaptando os deuses gregos para formar a mitologia latina; depois o cristianismo se tornou a religião dos romanos, que adaptaram seus deuses para que coubessem como santos cristãos e adaptando a filosofia de Platão e Aristóteles para montar seus dogmas; então se sucederam as guerras religiosas entre cristãos e muçulmanos e as rupturas (ortodoxos e protestantes); também a infame e cruel “santa” Inquisição (que censurou, perseguiu, torturou e/ou matou quem ousasse questionar e investigar sobre a natureza e a vida).

Foram dois mil anos de atraso, onde os pouquíssimos avanços científicos vieram sobretudo dos árabes e dos chineses, até que no século XVI, aos poucos as ideias dos Pré-Socráticos foram retomadas, desenvolvidas e avançadas, com o advento da Renascença e então do Iluminismo.
Graças a essa retomada do método científico que tivemos a revolução industrial e todos os demais avanços tecnológicos mais recentes.

A ciência é a melhor maneira que temos para conhecer a natureza.
Não porque a ciência seria infalível, justamente porque uma teoria científica é empírica e está sempre aberta à contestação se novas evidências forem apresentadas. Ou seja, nenhuma teoria pode ser considerada estritamente certa para sempre, pois a ciência aceita o conceito de falibilismo.

Já as religiões impõem dogmas e a fé impede que a curiosidade e o senso crítico possam ser postos em prática e desenvolvidos.
As religiões organizadas perderam parte de seu imenso poder, mas ainda dominam e limitam a vida de bilhões de pessoas ao redor do mundo.
Apesar das muitas obras de caridade e das mensagens de paz e amor, as religiões ainda são a maior fonte de intolerância e violência no mundo.

Qualquer religioso que ousar questionar e investigar, estará em um dilema: abandonar a religião ou fingir que tem fé.

A espiritualidade pode ser algo positivo, pois não necessariamente interfere na capacidade evolutiva, mas as religiões organizadas certamente foram e cada vez mais são negativas para a espécie humana.

Assim como a escravidão e o racismo já foram considerados algo justo e positivo por muitos anos, e hoje não mais, espero que a religião, a guerra e toda forma de violência e opressão também sejam deixados para trás em algum ponto de nossa evolução.
Arrisco dizer que é inevitável que isso aconteça, cedo ou tarde (a não ser que estejamos extintos antes).

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Fontes:
http://en.wikipedia.org/wiki/Timeline_of_the_evolutionary_history_of_life
http://en.wikipedia.org/wiki/Bacteria
http://en.wikipedia.org/wiki/Timeline_of_human_evolution
http://en.wikipedia.org/wiki/Timeline_of_scientific_thought
http://en.wikipedia.org/wiki/Timeline_of_religion
http://en.wikipedia.org/wiki/Cosmos_(book)
http://en.wikipedia.org/wiki/Cosmos:_A_Personal_Voyage
http://en.wikipedia.org/wiki/Behavioral_modernity
http://en.wikipedia.org/wiki/Science
http://en.wikipedia.org/wiki/Scientific_skepticism
http://en.wikipedia.org/wiki/Outline_of_scientific_method
http://en.wikipedia.org/wiki/History_of_scientific_method
http://en.wikipedia.org/wiki/Timeline_of_the_history_of_scientific_method
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ensino_m%C3%A9dio
http://en.wikipedia.org/wiki/Heliocentrism
http://en.wikipedia.org/wiki/Timeline_of_human_prehistory
http://en.wikipedia.org/wiki/Timeline_of_ancient_history
http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_languages_by_first_written_accounts
http://www.leb.esalq.usp.br/aulas/lce5702/termodinamicavida.pdf
http://en.wikipedia.org/wiki/Timeline_of_the_evolutionary_history_of_life
http://en.wikiquote.org/wiki/Thermodynamics
http://en.wikipedia.org/wiki/Entropy_(arrow_of_time)
http://pt.wikipedia.org/wiki/Segunda_lei_da_termodin%C3%A2mica

6 de março de 2015

Uma Nova Teoria da Vida da Física

Escrito por: Natalie Wolchover
22 de janeiro de 2014
Publicado por: Quanta Magazine (https://www.quantamagazine.org/20140122-a-new-physics-theory-of-life/)
Traduzido por: Cesar Zanin
5 de março de 2015


Jeremy England, um físico de 31 anos de idade, no MIT, pensa ter encontrado a física subjacente que impulsiona a origem e a evolução da vida.


Por que a vida existe?

Hipóteses populares atribuem uma sopa primordial, um relâmpago e um golpe de sorte colossal. Mas se uma nova teoria provocativa estiver correta, a sorte pode ter pouco a ver com isso. Em vez disso, de acordo com o físico que está propondo a ideia, a origem e evolução subsequente da vida decorrem das leis fundamentais da natureza e "devem ser tão facilmente explicáveis quanto pedras rolando ladeira abaixo."

Do ponto de vista da física, há uma diferença essencial entre os seres vivos e aglomerados inanimados de átomos de carbono: Os seres vivos tendem a ser muito melhores em capturar energia a partir de seu ambiente e dissipar essa energia na forma de calor. Jeremy England, um professor de 31 anos de idade, assistente no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), deduziu uma fórmula matemática que explicaria essa capacidade. A fórmula, baseada na física estabelecida, indica que quando um grupo de átomos é acionado por uma fonte externa de energia (como o sol ou combustíveis químicos) e rodeado por um banho de calor (como o oceano ou a atmosfera), frequentemente esse grupo vai se reestruturar gradualmente a fim de dissipar cada vez mais energia. Isto poderia significar que, sob certas condições, a matéria inexoravelmente adquire o atributo físico chave associado à vida.

"Você começa com um punhado aleatório de átomos e se você brilhar a luz sobre ele por tempo suficiente, não deve ser tão surpreendente que você obtenha uma planta", disse England.


 As células do musgo Plagiomnium affine com cloroplastos visíveis, organelas que realizam fotossíntese capturando a luz solar.

A teoria de England está na base da teoria da evolução de Darwin pela seleção natural, que fornece uma descrição poderosa de vida a nível de genes e de populações. "Eu certamente não estou dizendo que as ideias darwinistas estão erradas", ele explicou. "Pelo contrário, estou apenas dizendo que a partir da perspectiva da física, você pode nomear a evolução darwiniana como um caso especial de um fenômeno mais geral."

Sua ideia, detalhada em um artigo recente e ampliada em uma palestra que ele está ministrando em universidades ao redor do mundo, gerou polêmica entre seus colegas, que a veem como um avanço fraco ou então potencial, ou ambos.

England deu "um passo muito corajoso e muito importante", disse Alexander Grosberg, professor de física na Universidade de Nova York que tem acompanhado o trabalho de England desde seus estágios iniciais. A "grande esperança" é que ele tenha identificado o princípio físico básico de condução da origem e da evolução da vida, disse Grosberg.

"Jeremy é o mais brilhante jovem cientista com quem eu já me deparei", disse Attila Szabo, um biofísico no Laboratório de Físico-Química do Instituto Nacional de Saúde, que se correspondeu com England sobre sua teoria após conhecê-lo em uma conferência. "Fiquei impressionado com a originalidade das ideias."

Outros, como Eugene Shakhnovich, um professor de química, biologia química e biofísica da Universidade de Harvard, ainda não estão convencidos. "As ideias de Jeremy são interessantes e potencialmente promissoras, mas neste momento são extremamente especulativas, especialmente quando aplicadas ao fenômenos da vida", disse Shakhnovich.

Os resultados teóricos de England são geralmente considerados válidos. É a sua interpretação - que sua fórmula representa a força motriz por trás de uma classe de fenômenos na natureza, que inclui a vida - que ainda não foi provada. Mas já, há ideias sobre como testar essa interpretação no laboratório.

"Ele está tentando algo radicalmente diferente", disse Mara Prentiss, uma professora de física na Universidade de Harvard que está contemplando tal experimento depois de conhecer o trabalho de England. "Sob um prisma de organização, acho que ele teve uma ideia fabulosa. Certo ou errado, vai valer muito a pena investigar."

No coração da ideia de England está a segunda lei da termodinâmica, também conhecida como a lei da entropia crescente ou a “flecha do tempo”. As coisas quentes esfriam, o gás se difunde pelo ar, ovos mexidos nunca voltam a ser ovos inteiros; em suma, a energia tende a se dispersar ou se espalhar com o tempo. A entropia é uma medida dessa tendência, quantificando como a energia é dispersa entre as partículas num sistema, e como estas partículas são difusas por todo o espaço. Ela aumenta como uma simples questão de probabilidade: Há mais maneiras da energia ser espalhada do que ser concentrada. Assim, enquanto as partículas num sistema se movimentam e interagem, elas irão, através de puro acaso, adotar configurações em que a energia é espalhada. Enfim o sistema chega a um estado de máxima entropia chamado "equilíbrio termodinâmico", em que a energia é distribuída uniformemente. Uma xícara de café e o cômodo em que ela está acabam com a mesma temperatura, por exemplo. Contanto que a xícara e o cômodo sejam deixados pra trás, este processo é irreversível. O café nunca aquece espontaneamente de novo porque as chances são esmagadoramente contra a possibilidade de muita da energia do quarto se concentrarem aleatoriamente nos átomos do café.


Uma simulação de computador feita por Jeremy England e colegas mostra um sistema de partículas confinadas no interior de um fluido viscoso no qual as partículas turquesas são impulsionadas por uma força oscilante. Ao longo do tempo (de cima para baixo) a força desencadeia a formação de mais ligações entre as partículas.

Embora a entropia deva aumentar ao longo do tempo em um sistema "fechado" ou isolado, um sistema "aberto" pode manter sua entropia baixa - isto é, a energia dividida desigualmente entre seus átomos - aumentando bastante a entropia do seu entorno. Em sua influente monografia de 1944  "O que é a vida?", o eminente físico quântico Erwin Schrödinger argumentou que isso é o que os seres vivos tem de fazer. Uma planta, por exemplo, absorve a luz solar extremamente enérgica, usa para construir açúcares, e ejeta luz infravermelha, uma forma de energia muito menos concentrada. A entropia total do universo aumenta durante a fotossíntese enquanto a luz solar se dissipa, mesmo quando a planta se previne da decomposição através da manutenção de uma estrutura interna ordenada.

A vida não viola a segunda lei da termodinâmica, mas até recentemente, os físicos não foram capazes de usar a termodinâmica para explicar porque ela deve surgir em primeiro lugar. Nos tempos de Schrödinger, era possível resolver as equações da termodinâmica somente para sistemas fechados em equilíbrio. Na década de 60, o físico belga Ilya Prigogine fez progressos em predizer o comportamento de sistemas abertos fracamente impulsionados por fontes de energia externas (pelo qual ganhou o Prêmio Nobel em Química de 1977). Mas o comportamento de sistemas que estão longe do equilíbrio, que estão ligados ao ambiente externo e fortemente impulsionado por fontes externas de energia, não podia ser previsto.

Esta situação mudou no final dos anos 90, devido principalmente ao trabalho de Chris Jarzynski, hoje na Universidade de Maryland, e Gavin Crooks, hoje no Laboratório Nacional Lawrence Berkeley. Jarzynski e Crooks mostraram que a entropia produzida por um processo termodinâmico, como o resfriamento de uma xícara de café, corresponde a uma razão simples: a probabilidade de que átomos sofram esse processo dividido pela probabilidade de sofrer o processo inverso (isto é, interagindo espontaneamente de tal modo que o café aqueça). Com o aumento da produção de entropia, assim acontece essa relação: "Irreversível". Essa fórmula, simples mas rigorosa, poderia ser aplicada, a princípio, a qualquer processo termodinâmico, não importa o quão rápido ou longe do equilíbrio. "Nossa compreensão da mecânica estatística do longe-do-equilíbrio melhorou muito", disse Grosberg. England, que é formado em ambos bioquímica e física, iniciou seu próprio laboratório no MIT há dois anos e decidiu aplicar o novo conhecimento da física estatística para a biologia.

Usando a formulação de Jarzynski e Crooks, ele obteve uma generalização da segunda lei da termodinâmica que vale para sistemas de partículas com determinadas características: Os sistemas são fortemente impulsionados por uma fonte de energia externa, como uma onda eletromagnética, e eles podem despejar calor em um banho no entorno. Esta classe de sistemas inclui todas as coisas vivas. England então determinou quanto tais sistemas tendem a evoluir ao longo do tempo enquanto aumentam a sua irreversibilidade. "Podemos mostrar de maneira muito simples, a partir da fórmula, que os resultados evolutivos mais prováveis serão aqueles que absorveram e dissiparam mais energia a partir de unidades externas do meio ambiente no caminho para chegar lá", disse ele. A descoberta faz sentido intuitivo: as partículas tendem a dissipar mais energia quando ressoam com uma força motriz, ou se movem na direção em que estão sendo empurradas, e elas estão mais propensas a se mover nessa direção do que em qualquer outra em qualquer momento.

"Isso significa que aglomerados de átomos cercados por um banho em alguma temperatura, como a atmosfera ou o oceano, devem ao longo do tempo se organizarem a ressoar melhor e melhor com as fontes de trabalho mecânico, eletromagnético ou químico em seus ambientes", explicou England.


Aglomerados de esferas auto-replicantes: De acordo com uma nova pesquisa em Harvard, o revestimento das superfícies de microesferas pode levá-las a se moldarem espontaneamente em uma certa estrutura, como um poliedro (vermelho), que então aciona esferas próximas a formar uma estrutura idêntica.

A auto-replicação (ou reprodução, em termos biológicos), o processo que impulsiona a evolução da vida na Terra, é um tal mecanismo pelo qual um sistema pode dissipar uma quantidade crescente de energia ao longo do tempo. Como England coloca, "Uma ótima maneira de dissipar mais é fazer mais cópias de si mesmo." Em um documento de setembro no Jornal de Química Física, ele informou o valor mínimo teórico de dissipação que pode ocorrer durante a auto-replicação de moléculas de RNA e células bacterianas, e mostrou que é muito próximo dos valores reais que esses sistemas dissipam ao replicar. Ele também mostrou que o RNA, o ácido nucleico que muitos cientistas acreditam que serviu como o precursor para a vida baseada em DNA, é um material de construção particularmente barato. Assim que o RNA surgiu, ele argumenta, a sua "tomada darwiniana" provavelmente não foi surpreendente.

A química da sopa primordial, mutações aleatórias, geografia, eventos catastróficos e inúmeros outros fatores têm contribuído para os detalhes da diversidade da flora e fauna da Terra. Mas de acordo com a teoria de England, o princípio subjacente conduzindo todo o processo é a adaptação da matéria orientada para a dissipação.

Este princípio se aplica à matéria inanimada também. "É muito tentador especular sobre quais fenômenos na natureza podemos agora colocar sob esta grande tenda de organização adaptativa ditada pela dissipação", disse England. "Muitos exemplos poderiam estar bem debaixo do nosso nariz, mas porque não temos procurado por eles não nos demos conta deles."

Os cientistas já observaram auto-replicação em sistemas não-vivos. De acordo com uma nova pesquisa liderada por Philip Marcus, da Universidade da Califórnia, em Berkeley, e relatado na revista Physical Review Letters em agosto, vórtices em fluidos turbulentos se replicam espontaneamente por extrair energia de corte no fluido circundante. E em um artigo publicado on-line esta semana no Proceedings of the National Academy of Sciences, Michael Brenner, professor de matemática aplicada e física na Universidade de Harvard, e seus colaboradores, apresentam modelos teóricos e simulações de microestruturas que autorreplicam. Estes aglomerados de microesferas especialmente revestidos dissipam energia ao enlaçar esferas próximas para formar agrupamentos idênticos. "Isto conecta muito ao que Jeremy está dizendo", disse Brenner.

Além de auto-replicação, uma organização estrutural maior é outro meio pelo qual sistemas fortemente impulsionados incrementam sua capacidade de dissipar energia. A planta, por exemplo, é muito melhor em capturar e encaminhar a energia solar através de si mesmo do que um amontoado de átomos de carbono. Assim, England argumenta que, sob certas condições, a matéria vai se auto-organizar espontaneamente. Essa tendência pode ser responsável pela ordem interna dos seres vivos e de muitas estruturas inanimadas também. "Flocos de neve, dunas de areia e vórtices turbulentos têm algo em comum: são estruturas surpreendentemente padronizadas que surgem em sistemas de muitas partículas impulsionados por algum processo de dissipação", disse ele. Condensação, vento e arraste viscoso são os processos relevantes nestes casos particulares.

"Ele está me fazendo pensar que a distinção entre matéria viva a não-viva não é nítida", disse Carl Franck, um físico biológico na Universidade de Cornell, em um e-mail. "Estou especialmente impressionado com este conceito quando se considera sistemas tão pequenos quanto circuitos químicos envolvendo algumas biomoléculas."

A ideia ousada de England provavelmente enfrentará um exame minucioso nos próximos anos. Ele está atualmente executando simulações de computador para testar sua teoria que diz que os sistemas de partículas de adaptam suas estruturas para se tornarem melhores na dissipação de energia. O próximo passo será a realização de experimentos em sistemas vivos.


Se uma nova teoria está correta, a mesma física que identifica como responsável pela origem dos seres vivos poderia explicar a formação de muitas outras estruturas padronizadas na natureza. Flocos de neve, dunas de areia e vórtices de auto-replicação no disco protoplanetário podem então ser exemplos de adaptação orientada à dissipação.

Prentiss, que dirige um laboratório experimental de biofísica em Harvard, diz que a teoria de England poderia ser testada comparando células com mutações diferentes e procurando uma correlação entre a quantidade de energia que as células dissipam e as suas taxas de replicação. "É preciso ter cuidado porque qualquer mutação poderia fazer muitas coisas", disse ela. "Mas se alguém continuou fazendo muitos destes experimentos em sistemas diferentes e se [dissipação e replicação bem sucedida] estão de fato correlacionados, isso iria sugerir que este é o princípio de organização correto."

Brenner disse que espera ligar a teoria de England às suas próprias construções de microesferas e determinar se a teoria prevê corretamente quais os processos de auto-replicação e auto-montagem podem ocorrer - "uma questão fundamental na ciência", disse ele.

Ter um princípio fundamental da vida e da evolução daria aos pesquisadores uma perspectiva mais ampla sobre o surgimento da estrutura e da função nos seres vivos, muitos dos pesquisadores disseram. "A seleção natural não explica certas características", disse Ard Louis, um biofísico da Universidade de Oxford, em um e-mail. Estas características incluem uma alteração hereditária para a expressão do gene chamada metilação, aumenta em complexidade na ausência de seleção natural, e algumas alterações moleculares que Louis estudou recentemente.

Se a abordagem de England resitir a mais testes, poderia liberar ainda mais os biólogos de buscar uma explicação darwinista para cada adaptação e permitir que eles pensem de modo mais geral, em termos de organização orientada para dissipação. Eles podem descobrir, por exemplo, que "a razão pela qual um organismo mostra característica X ao invés de Y pode não ser porque X é mais apto do que Y, mas porque restrições físicas tornam mais fácil para X para evoluir do que para Y evoluir", Louis disse.

"As pessoas muitas vezes ficam presas pensando em problemas individuais", disse Prentiss. Queiramos ou não que as ideias de England venham a ser certas, ela disse, "pensar de forma mais ampla é onde muitas descobertas científicas são feitas."

Emily Cantor contribuiu. Este artigo foi reimpresso em ScientificAmerican.com e BusinessInsider.com.

Correção: Este artigo foi revisado em 22 de janeiro de 2014, para refletir que Ilya Prigogine ganhou o Prêmio Nobel em química, não física.

27 de fevereiro de 2015

4 de fevereiro de 2015

Inteligência Artificial


Quando assisti ao filme A.I. - Inteligência Artificial, uma década atrás (ou mais), foi tedioso. Aliás acho que nem cheguei ao final, devo ter dormido.

Começa como um filme de suspense e termina em ficção científica. Achei sem pé nem cabeça e anticlímax. Não entendi como Kubrick poderia ter concebido um filme assim e cheguei a acreditar que Spielberg teria feito o filme apenas como algum tipo de homenagem ao ídolo.

Somente quando assisti ao filme Her - Ela, de Spike Jonze, há pouco mais de um ano, que me bateu forte esse tema (da inteligência artificial) e de lá para cá tenho me deparado com uma avalanche de referências.
Cheguei ao Her por conta do Jonze e da trilha do Arcade Fire, sem saber como seria, mas gostei muito.
Muita gente que assistiu a Her achou o filme tedioso - mais ou menos o que eu tinha sentido ao assistir A.I. - Inteligência Artificial.

Assisti novamente a A.I. – Inteligência Artificial e pirei.
Recentemente senti a mesma empolgação, ao assistir a Transcendence: A Revolução, com Johnny Depp e Morgan Freeman.

Cada um dos três filmes apresenta o tema sob um prisma diferente e cada um teve também uma recepção diferente, mas é inegável que a discussão em torno das questões sobre a inteligência artificial não mais se limita aos laboratórios e círculos acadêmicos.

Porém pouca gente fora desses ambientes encara a inteligência artificial como um tema realmente importante.

Até decidir escrever este texto eu simplesmente sentia vergonha de dizer o que eu penso a respeito, isto é, que a inteligência artificial poderá ser a causa da extinção de nossa espécie.
Uma vez acenei isso numa conversa com um amigo, culto e bem informado; ele discordou de mim duplamente, dizendo que a inteligência artificial já existe atualmente.

Mesmo com gente como Stephen Hawkins alertando sobre os riscos que a inteligência artificial pode impor à nossa espécie, a maioria tende a considerar essa uma questão insignificante, quando comparada a problemas como a degradação do meio-ambiente ou uma guerra mundial com armas nucleares e/ou biológicas.

Decidi escrever isto aqui enquanto lia o mais novo artigo de Tim Urban no blog WaitButWhy.com.
Ao invés de escrever um monte aqui, melhor seria se eu traduzisse logo o artigo dele, mas vai ficar para uma próxima (estou editando áudio d’AEdB e escrevendo meu segundo romance...).

Há um monte de artigos por aí sobre o assunto, em publicações variadas - desde Vice, passando por Wired, até publicações como Science magazine; mas se você não puder ler em inglês, sem problemas, aqui uma palestra do TED sobre o assunto com legenda em português do Brasil (a legenda foi traduzida por mim).
A palestra é do tecnólogo Jeremy Howard e ele fala justamente sobre os avanços tecnológicos que, seguindo um padrão de crescimento exponencial, podem nos levar à chamada inteligência artificial plena antes da metade deste século.

A partir de então seria questão de vinte anos (ou menos) para que a chamada superinteligência pudesse ultrapassar a capacidade intelectiva de toda a humanidade e embaralhar todo e qualquer tipo de previsão atual sobre os limites de realidade e futuro.

Afinal, seriam os deuses astronautas ou computadores? Alguém aí já assistiu ao filme The Singularity?
Hehe, agora vou terminar de ler o artigo, fui.


Ah, aqui um texto da wikipedia sobre o assunto, em português:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Singularidade_tecnol%C3%B3gica



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Crédito da imagem: NASA, ESA, J. Hester and A. Loll (Arizona State University)

http://pt.wikipedia.org/wiki/A.I._-_Inteligência_Artificial

http://pt.wikipedia.org/wiki/Her

http://pt.wikipedia.org/wiki/Transcendence

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/12/141202_hawking_inteligencia_pai

http://waitbutwhy.com/2015/01/artificial-intelligence-revolution-2.html

http://motherboard.vice.com/read/super-intelligent-ai-could-wipe-out-humanity-if-were-not-ready-for-it

http://motherboard.vice.com/read/the-dominant-life-form-in-the-cosmos-is-probably-superintelligent-robots

http://www.wired.com/2015/01/the-evolution-of-artificial-intelligence/

http://www.sciencemag.org/search?site_area=sciencejournals&y=0&fulltext=artificial+intelligence&x=0&journalcode=scitransmed&submit=yes

http://pt.wikipedia.org/wiki/TED_(conferência)

http://go.ted.com/wmi

http://en.wikipedia.org/wiki/The_Singularity_%28film%29

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6 de julho de 2009

De novo... Flip? Dawkins? Não, religião.

O conteudo a seguir foi tirado de: http://youpode.com.br/blog/todapalavra/2009/07/03/o-deus-dos-poetas-barrados-na-flip/ 

O Deus dos poetas barrados na Flip 

Richard Dawkins, profeta do ateísmo, ganhou ontem os holofotes da Flip para repetir o seu bordão - “Deus não existe”. A palestra do cientista queniano, considerado na edição de hoje de O Globo como “o grande nome de ontem da festa”, reforça as críticas de que Paraty tem se tornado um lugar cada vez menos dos escritores e mais de notáveis ou de candidatos à notoriedade. 

Os jornais também revelam o impacto causado no biólogo pela exuberância da natureza brasileira. Após conhecer o Pantanal, ele teria dito que, não fosse a evolução, atribuiria toda aquela beleza à criação divina. Darwinista convicto, Dawkins certamente não conhece um poeta brasileiro contemporâneo de Charles Darwin, cujo caminho o célebre naturalista britânico quase cruzou ao passar, quando esteve no Brasil, numa incursão pelo interior fluminense, por Barra de São João, terra natal de Casimiro de Abreu. 

Naquele ponto do litoral do Rio de Janeiro, Darwin se deparou com o cenário presente na infância de Casimiro e que o inspirou a escrever o poema abaixo: 

DEUS! 

Em me lembro! Eu me lembro! - Era pequeno 
E brincava na praia; o mar bramia 
E, erguendo o dorso altivo, sacudia 
A branca escuma para o céu sereno. 

E eu disse a minha mãe nesse momento: 
“Que dura orquestra! Que furor insano! 
“Que pode haver maior que o oceano, 
“Ou que seja mais forte do que o vento?!” 

Minha mãe a sorrir olhou pr’os céus 
E respondeu: - “Um Ser que nós não vemos 
“É maior do que o mar que nós tememos, 
“Mais forte que o tufão” meu filho, - Deus!” 

Entre os cientistas e os poetas, prefiro ficar com estes. E como Dawkins reconheceu - ao menos - o valor literário da Bíblia - “uma literatura interessante”, de acordo com O Globo -, aproveito para transcrever outro texto poético, este de origem bíblica, escrito por Davi - o Salmo 19: 

Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos. 
Um dia faz declaração a outro dia, e uma noite mostra sabedoria a outra noite. 
Não há linguagem nem fala onde não se ouça a sua voz. 
A sua linha se estende por toda a terra, e as suas palavras até ao fim do mundo. Neles pôs uma tenda para o sol, 
O qual é como um noivo que sai do seu tálamo, e se alegra como um herói, a correr o seu caminho. 
A sua saída é desde uma extremidade dos céus, e o seu curso até à outra extremidade, e nada se esconde ao seu calor. 
A lei do SENHOR é perfeita, e refrigera a alma; o testemunho do SENHOR é fiel, e dá sabedoria aos símplices. 
Os preceitos do SENHOR são retos e alegram o coração; o mandamento do SENHOR é puro, e ilumina os olhos. 
O temor do SENHOR é limpo, e permanece eternamente; os juízos do SENHOR são verdadeiros e justos juntamente. 
Mais desejáveis são do que o ouro, sim, do que muito ouro fino; e mais doces do que o mel e o licor dos favos. 
Também por eles é admoestado o teu servo; e em os guardar há grande recompensa. 
Quem pode entender os seus erros? Expurga-me tu dos que me são ocultos. 
Também da soberba guarda o teu servo, para que se não assenhorie de mim. Então serei sincero, e ficarei limpo de grande transgressão. 
Sejam agradáveis as palavras da minha boca e a meditação do meu coração perante a tua face, SENHOR, Rocha minha e Redentor meu! 

Infelizmente Casimiro e Davi não participam da Flip. 

-- 


10 Comentários para “O Deus dos poetas barrados na Flip” 


Marcele Vespasiano Diz: 
3 de julho de 2009 às 18:57 
Poh Ertha! 
Posta Lili!!! Esse livro que não sai +… 
Quero fz minha monografia sobre ele. 
Fui 


Bayão Diz: 
3 de julho de 2009 às 20:06 
Grande post! Engraçado como os ateus sempre são darwinistas fervorosos. Imagino que, se o grande naturalista britânico tivesse seguido outro rumo em sua vida, quem os ateus teriam como modelo? Estamos sempre esperando algum tipo de resposta, esse é o grande erro. 

Woody Allen sobre o assunto: “Se ao menos Deus me desse um sinal! Como um depósito de cem mil dólares na minha conta bancária!”. 


Rosaly Fonseca Diz: 
3 de julho de 2009 às 20:54 
“Disse Deus: Haja luz. E houve luz.” (Gênesis 1:3) Felizmente, essa luz está presente nos pensamentos de muitas pessoas, como você. 


Cesar Zanin Diz: 
3 de julho de 2009 às 20:56 
Qual o proposito deste post? 
Esse post seria sobre a Flip, sobre Dawkins na Flip, o que Dawkins fez na Flip ou sobre Casimiro de Abreu? Ou sobre a beleza do Pantanal? Ou sobre o texto “de” Davi? 
Quem considera Dawkins Deus ou profeta de qualquer coisa? 
Ele realmente disse “Deus nao existe” na Flip? O que o faria mudar a tal ponto? 
De quem seriam “as críticas de que Paraty tem se tornado um lugar cada vez menos dos escritores e mais de notáveis ou de candidatos à notoriedade”? Dawkins entao nao seria um escritor tambem? 
Quem cadidatou Dawkins a notoriedade e como? 
Dawkins realmente poderia ser definido como darwinista, mas convicto? Um religioso pode ser definido como religioso convicto? 
Entendi errado ou houve uma comparacao entre poetas e religiosos? Entre cientistas e poetas eu prefiro ambos, mas nao todos. 
Dawkins reconheceu o valor literario da biblia por que ele existe, nada mais justo. 
Nao satisfeito com a primeira maiuscula, a palavra senhor foi com TODAS maiusculas; pitoresco… 
Por favor, alguem poderia esclarecer/resumir/sintetizar o que exatamente fala o texto “de” Davi usado nesse post, e principalmente o que ele avaliza no contexto do post? 
Luiz, sinto por voce, por eles nao participarem. Ok, Dawkins participa, sim; mas voce tambem, nao e’? 

Eu sei, fiz muitas perguntas em mem comentario, perguntas demais. 
Um religioso nunca faria assim. 
Se ao menos um terco delas tivesse resposta eu ficaria contente. 

Engracado, o comentario do Bayao segue a mesma linha “oligac”. 


Gilson Rangel Rolim Diz: 
4 de julho de 2009 às 10:47 
Erthal, 
você está com a razão. A FLIP é, nada mais, nada menos, que um espetáculo midiático. A única vantagem é divulgar Parati. 


Marcele Vespasiano Diz: 
4 de julho de 2009 às 20:22 
Isso msm Gilson!!! 

Eh bota a bunda na janela 1 vz por ano! 
Precisamos de mais que isso para a indústria editorial decolar no Brasil! 

Erthal, posta Lili Leitão! 


Luiz A. Erthal Diz: 
5 de julho de 2009 às 19:18 
O nosso amigo Cesar Zanin é cara um curioso, que faz muitas perguntas. Isso é bom. Vamos ver se ele também é bom em responder perguntas: 
“Então, o SENHOR, do meio de um redemoinho, respondeu a Jó: 
Cinge agora os lombos como homem; eu te perguntarei, e tu me responderás. 
Acaso, anularás tu, de fato, o meu juízo? Ou me condenarás, para te justificares? 
Ou tens braço como Deus ou podes trovejar com a voz como ele o faz? 
Orna-te, pois, de excelência e grandeza, veste-te de majestade e de glória. 
Derrama as torrentes da tua ira e atenta para todo soberbo e abate-o. 
Olha para todo soberbo e humilha-o, calca aos pés os perversos no seu lugar. 
Cobre-os juntamente no pó, encerra-lhes o rosto no sepulcro. 
Então, também eu confessarei a teu respeito que a tua mão direita te dá vitória. 
Contempla agora o hipopótamo, que eu criei contigo, que come a erva como o boi. 
Sua força está nos seus lombos, e o seu poder, nos músculos do seu ventre. 
Endurece a sua cauda como cedro; os tendões das suas coxas estão entretecidos. 
Os seus ossos são como tubos de bronze, o seu arcabouço, como barras de ferro. 
Ele é obra-prima dos feitos de Deus; quem o fez o proveu de espada. 
Em verdade, os montes lhe produzem pasto, onde todos os animais do campo folgam. 
Deita-se debaixo dos lotos, no esconderijo dos canaviais e da lama. 
Os lotos o cobrem com sua sombra; os salgueiros do ribeiro o cercam. 
Se um rio transborda, ele não se apressa; fica tranqüilo ainda que o Jordão se levante até à sua boca. 
Acaso, pode alguém apanhá-lo quando ele está olhando? Ou lhe meter um laço pelo nariz? 
Podes tu, com anzol, apanhar o crocodilo ou lhe travar a língua com uma corda? 
Podes meter-lhe no nariz uma vara de junco? Ou furar-lhe as bochechas com um gancho? 
Depois disto, o SENHOR, do meio de um redemoinho, respondeu a Jó: 
Quem é este que escurece os meus desígnios com palavras sem conhecimento? 
Cinge, pois, os lombos como homem, pois eu te perguntarei, e tu me farás saber. 
Onde estavas tu, quando eu lançava os fundamentos da terra? Dize-mo, se tens entendimento. 
Quem lhe pôs as medidas, se é que o sabes? Ou quem estendeu sobre ela o cordel? 
Sobre que estão fundadas as suas bases ou quem lhe assentou a pedra angular, 
quando as estrelas da alva, juntas, alegremente cantavam, e rejubilavam todos os filhos de Deus? 
Ou quem encerrou o mar com portas, quando irrompeu da madre; 
quando eu lhe pus as nuvens por vestidura e a escuridão por fraldas? 
Quando eu lhe tracei limites, e lhe pus ferrolhos e portas, 
e disse: até aqui virás e não mais adiante, e aqui se quebrará o orgulho das tuas ondas? 
Acaso, desde que começaram os teus dias, deste ordem à madrugada ou fizeste a alva saber o seu lugar, 
para que se apegasse às orlas da terra, e desta fossem os perversos sacudidos? 
A terra se modela como o barro debaixo do selo, e tudo se apresenta como vestidos; 
dos perversos se desvia a sua luz, e o braço levantado para ferir se quebranta. 
Acaso, entraste nos mananciais do mar ou percorreste o mais profundo do abismo? 
Porventura, te foram reveladas as portas da morte ou viste essas portas da região tenebrosa? 
Tens idéia nítida da largura da terra? Dize-mo, se o sabes. 
Onde está o caminho para a morada da luz? E, quanto às trevas, onde é o seu lugar, 
para que as conduzas aos seus limites e discirnas as veredas para a sua casa? 
Tu o sabes, porque nesse tempo eras nascido e porque é grande o número dos teus dias! 
Acaso, entraste nos depósitos da neve e viste os tesouros da saraiva, 
que eu retenho até ao tempo da angústia, até ao dia da peleja e da guerra? 
Onde está o caminho para onde se difunde a luz e se espalha o vento oriental sobre a terra?
Quem abriu regos para o aguaceiro ou caminho para os relâmpagos dos trovões; 
para que se faça chover sobre a terra, onde não há ninguém, e no ermo, em que não há gente; 
para dessedentar a terra deserta e assolada e para fazer crescer os renovos da erva? 
Acaso, a chuva tem pai? Ou quem gera as gotas do orvalho? 
De que ventre procede o gelo? E quem dá à luz a geada do céu? 
As águas ficam duras como a pedra, e a superfície das profundezas se torna compacta. 
Ou poderás tu atar as cadeias do Sete-estrelo ou soltar os laços do Órion? 
Ou fazer aparecer os signos do Zodíaco ou guiar a Ursa com seus filhos? 
Sabes tu as ordenanças dos céus, podes estabelecer a sua influência sobre a terra? 
Podes levantar a tua voz até às nuvens, para que a abundância das águas te cubra? 
Ou ordenarás aos relâmpagos que saiam e te digam: Eis-nos aqui? 
Quem pôs sabedoria nas camadas de nuvens? Ou quem deu entendimento ao meteoro? 
Quem pode numerar com sabedoria as nuvens? Ou os odres dos céus, quem os pode despejar, 
para que o pó se transforme em massa sólida, e os torrões se apeguem uns aos outros? 
Caçarás, porventura, a presa para a leoa? Ou saciarás a fome dos leõezinhos, 
quando se agacham nos covis e estão à espreita nas covas? 
Quem prepara aos corvos o seu alimento, quando os seus pintainhos gritam a Deus e andam vagueando, por não terem que comer? 
Sabes tu o tempo em que as cabras monteses têm os filhos ou cuidaste das corças quando dão suas crias? 
Podes contar os meses que cumprem? Ou sabes o tempo do seu parto? 
Elas encurvam-se, para terem seus filhos, e lançam de si as suas dores. 
Seus filhos se tornam robustos, crescem no campo aberto, saem e nunca mais tornam para elas. 
Quem despediu livre o jumento selvagem, e quem soltou as prisões ao asno veloz, 
ao qual dei o ermo por casa e a terra salgada por moradas? 
Ri-se do tumulto da cidade, não ouve os muitos gritos do arrieiro. 
Os montes são o lugar do seu pasto, e anda à procura de tudo o que está verde. 
Acaso, quer o boi selvagem servir-te? Ou passará ele a noite junto da tua manjedoura? 
Porventura, podes prendê-lo ao sulco com cordas? Ou gradará ele os vales após ti? 
Confiarás nele, por ser grande a sua força, ou deixarás a seu cuidado o teu trabalho? 
Fiarás dele que te traga para a casa o que semeaste e o recolha na tua eira? 
O avestruz bate alegre as asas; acaso, porém, tem asas e penas de bondade? 
Ele deixa os seus ovos na terra, e os aquenta no pó, 
e se esquece de que algum pé os pode esmagar ou de que podem pisá-los os animais do campo. 
Trata com dureza os seus filhos, como se não fossem seus; embora seja em vão o seu trabalho, ele está tranqüilo, 
porque Deus lhe negou sabedoria e não lhe deu entendimento; 
mas, quando de um salto se levanta para correr, ri-se do cavalo e do cavaleiro. 
Ou dás tu força ao cavalo ou revestirás o seu pescoço de crinas? 
Acaso, o fazes pular como ao gafanhoto? Terrível é o fogoso respirar das suas ventas. 
Escarva no vale, folga na sua força e sai ao encontro dos armados. 
Ri-se do temor e não se espanta; e não torna atrás por causa da espada. 
Sobre ele chocalha a aljava, flameja a lança e o dardo. 
De fúria e ira devora o caminho e não se contém ao som da trombeta. 
Em cada sonido da trombeta, ele diz: Avante! Cheira de longe a batalha, o trovão dos príncipes e o alarido. 
Ou é pela tua inteligência que voa o falcão, estendendo as asas para o Sul? 
Ou é pelo teu mandado que se remonta a águia e faz alto o seu ninho? 
Habita no penhasco onde faz a sua morada, sobre o cimo do penhasco, em lugar seguro. 
Dali, descobre a presa; seus olhos a avistam de longe. 
Seus filhos chupam sangue; onde há mortos, ela aí está. 
Disse mais o SENHOR a Jó: 
Acaso, quem usa de censuras contenderá com o Todo-Poderoso? Quem assim argúi a Deus que responda. 
Então, Jó respondeu ao SENHOR e disse: 
Sou indigno; que te responderia eu? Ponho a mão na minha boca. 
Uma vez falei e não replicarei, aliás, duas vezes, porém não prosseguirei. 
Então, o SENHOR, do meio de um redemoinho, respondeu a Jó: 
Cinge agora os lombos como homem; eu te perguntarei, e tu me responderás. 
Acaso, anularás tu, de fato, o meu juízo? Ou me condenarás, para te justificares? 
Ou tens braço como Deus ou podes trovejar com a voz como ele o faz? 
Orna-te, pois, de excelência e grandeza, veste-te de majestade e de glória. 
Derrama as torrentes da tua ira e atenta para todo soberbo e abate-o. 
Olha para todo soberbo e humilha-o, calca aos pés os perversos no seu lugar. 
Cobre-os juntamente no pó, encerra-lhes o rosto no sepulcro. 
Então, também eu confessarei a teu respeito que a tua mão direita te dá vitória. 
Contempla agora o hipopótamo, que eu criei contigo, que come a erva como o boi. (…) 
Então, respondeu Jó ao SENHOR: 
Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado. 
Quem é aquele, como disseste, que sem conhecimento encobre o conselho? Na verdade, falei do que não entendia; coisas maravilhosas demais para mim, coisas que eu não conhecia. 
Escuta-me, pois, havias dito, e eu falarei; eu te perguntarei, e tu me ensinarás. 
Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te vêem. 
Por isso, me abomino e me arrependo no pó e na cinza.” 
As perguntas de Deus para Jó foram feitas há milhares de anos e estão contidas no texto apontado como o mais antigo da Bíblia, o Livro de Jó. A despeito, porém, de toda a ciência, elas permanecem até hoje sem resposta humana. 


Cesar Zanin Diz: 
5 de julho de 2009 às 20:32 
Que decepcao, outro texto biblico e minhas perguntas ali, desprezadas. 

Se eu disser que achei o texto bonito mas impertinente para com minhas perguntas eu estarei violando alguma norma daqui? 
Alias, ainda sobre o texto “de” Jo, a Wikipedia diz: 
“A autoria de Jó é incerta. Alguns eruditos atribuem o livro a Moisés. Outros atribuem a um dos antigos sábios, cujos escritos podem ser encontrados em Provérbios ou Eclesiastes. Talvez o próprio Salomão tenha sido seu autor.” 

Sabe como eu cheguei ate’ aqui no seu blog? 
Spam. 
Sim, ou spam ou algo parecido, afinal eu recebi um email divulgando este blog sem ter solicitado, afinal nao conheco nem voce nem seu trabalho. 
Meu objetivo aqui nao foi e nao e’ ser grosseiro ou desrespeitoso, absolutamente. 

Acontece que eu sou realmente curioso e procuro ler e aprender, sempre, para poder ter opiniao propria, por isso vim ate’ aqui. Mas quando vi o teor de seu post nao resisti e comentei, externando minha perplexidade. 
Creio nao ter sido ofensivo, espero nao ter sido, mas o que ficou claro aqui foi que voce preferiu nao responder minhas perguntas. 

Agora vou me infomar sobre o que e’ realmente esse youpode.com.br, pois nao esta’ claro para mim ainda. 


Luiz A. Erthal Diz: 
6 de julho de 2009 às 1:33 
Caro Cesar, 
Responderei com prazer mais do que 30% de suas perguntas, como você pede, se for capaz de responder ao menos uma das questões colocadas aí em cima. Se fosse hipócrita, diria que a única impertinência aqui é o seu quase completo desprezo pelos acentos ortográficos. Como, porém, sei que você usa para escrever um mac de teclado inamistoso com o nosso idioma, perdoo-lhe essa irreverência. Porém, gostaria de conhecer a razão da sua perplexidade, até agora não explicada. 


Cesar Zanin Diz: 
6 de julho de 2009 às 8:44 
Obrigado entao. 
Ok, respondo a primeira entao: 
“Acaso, anularás tu, de fato, o meu juízo? Ou me condenarás, para te justificares?” 
Juízo algum, de quem quer que seja, poderia ser anulado. Se falassemos de oposicao ou proibicao, seria outra coisa, mas anulacao não. 
Como eu poderia condenar alguém de quem não se ha meios razoáveis de verificar nem mesmo a propria existencia? Ou seja, obviamente eu nao poderia condenar, nem se eu quisesse (o que nao e’ o caso), muito menos para me justificar, pois com todas as minhas imperfeicoes eu nunca conseguiria alcançar a quantidade e o alcance das imperfeicoes de quem supostamente teria feito essas perguntas. 

Minha perplexidade se deve ao fato de seu post apresentar um texto impreciso no que e em como voce diz sobre Dawkins; parcial, totalmente pro-religiao, dentro de um contexto de cobertura da Flip; e pouco autoral, visto que voce usa a Flip e o Dawkins meramente como gancho para ocupar mais da metade do espaco do seu post reproduzindo um poema religioso e um texto biblico; e tudo isso num portal chamado youpode.com.br, que tem como lema “Aqui voce pode. Tudo.”. 
Por isso fiz as tantas perguntas, para entender se minha perplexidade era pertinente ou nao… Mas sem as suas respostas fica dificil. 
Saudacoes.